Menor número de inscritos no Enem não significa concorrência mais fácil

Falta cada vez menos tempo para que os estudantes pré-vestibulares no Brasil encarem as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a principal porta de entrada dos alunos para um curso universitário. E, neste 2019 de muitas incertezas no Ministério da Educação (MEC), o concurso registrou o menor índice de inscritos dos últimos quase dez anos. Foram confirmadas e efetivadas 5.095.308 inscrições, de um total de 6.384.957 inscritos.

É o terceiro ano de queda consecutiva no número de inscritos do Enem, fazendo com que a edição de 2019 seja a menor desde 2010, quando foram 4,6 milhões de inscrições. Em 2011 o número subiu para 5.366.780 (Veja tabela no final do texto). Não é possível afirmar com certeza tudo o que decorre desse fenômeno, mas conseguimos fazer algumas análises. A primeira delas é que o Enem tem perdido inscritos para o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), que desde o ano passado se tornou a prova oficial para a obtenção de certificado do ensino médio para quem não havia terminado os estudos. Antes essa função era do Enem.

Além disso, as confusões no Ministério da Educação (MEC) no início do governo de Jair Bolsonaro, com a troca de ministro, demissões de diretorias, inclusive do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão que coordena o Enem, podem ter contribuído para receios dos estudantes. Afinal, a prova desse ano pode surpreender quem está se preparando para enfrentá-la.

Mesmo assim, com a queda, não se pode relaxar. Os estudantes devem ficar atentos e não acreditar que a concorrência será mais fácil porque menos gente se inscreveu. Até porque o nível dos concorrentes não se mede pelo número de inscritos, mas pela qualidade dos estudos. Obviamente é possível ter cada vez mais chances, se o aluno se esforçar ainda mais no estudo.

De acordo com o Inep, os estados que mais registraram inscritos são São Paulo, com 816 mil (16%); Minas Gerais (534 mil); Bahia (395 mil); Rio de Janeiro (339 mil); Ceará (294 mil); Pará (279 mil) e Pernambuco (275 mil). Veja a seguir o número de inscritos por ano.

2009 – 4,1 milhões 
2010 – 4,6 milhões
2011 – 5.366.780
2012 – 5.791.332
2013 – 7.173.910
2014 – 8.722.290
2015 – 7.792.025
2016 –  8.627.371
2017 – 6.731.300
2018 – 5.513.712
2019 – 5.095.308

Foto: brasil.gov.br

Tiago Mariano 

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.

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