Mais de mil mortes em um único dia e as pessoas ainda não compreenderam a gravidade da pandemia

Telma Elorza

O LONDRINENSE

O Ministério da Saúde divulgou nesta terça-feira que o número de mortes passou da marca do milhar. Foram 1.179 óbitos em 24 horas, em todo Brasil. Em Londrina, dois óbitos, de duas mulheres – de 80 e 82 anos, que tinham comorbidades. Já são quase 18 mil mortos no País e 18, no Município. Os casos confirmados – subnotificados, assim como as mortes – já chegam a cerca de 270 mil. 270 MIL. O país está em terceiro lugar em número de casos no mundo, perdendo para os Estados Unidos (1,5 milhão) e Rússia (290 mil), segundo o mapa global da universidade Johns Hopkins, mais atualizado do que o mantido pela Organização Mundial da Saúde (OMS). E mesmo assim, ainda tem gente que acredita que cloraquina vai salvar e que o isolamento social é besteira.

Até quando? Enquanto tivermos um presidente da República que minimiza a pandemia e zomba das mortes, teremos uma parcela da população totalmente irresponsável com sua vida e a dos outros. Principalmente a dos outros. Vão continuar fazendo festa, como aconteceu em Cornélio Procópio, onde, depois de uma confraternização em família, 11 pessoas testaram positivo para covid-19 e outras 400 estão sob suspeita. Vão continuar lotando bares, como o Nishikawa, no final de semana passada, quando a Guarda Municipal teve que intervir para acabar com a multidão que lotava a calçada. Fato divulgado pelo próprio bar, nas suas redes sociais. Vão continuar fazendo baladas clandestinas, como todos sabem que acontecem.

A abertura do comércio é outro exemplo. As lojas precisavam abrir? Sim, principalmente o pequeno comércio porque também precisa viver. Mas é necessário que a população lote grandes redes de roupas, por exemplo, como eu presenciei esses dias numa rede de moda feminina? Da calçada, pude ver um grande número de pessoas se aglomerando dentro da loja. O que é mais importante para essas pessoas? Uma liquidação ou a vida? Uma nova calça jeans ou ver um pai, uma mãe, uma avó agonizando por falta de ar e morrendo?

Morreram duas idosas em Londrina? E daí? E daí digo que duas idosas são mães e avós de alguém. E daí eu digo que quem não respeita a dor alheia, quem não faz o isolamento social é assassino. Enquanto essas pessoas não sentirem na pele o que é perder alguém por covid-19, vão continuar matando por omissão, pelo simples motivo de desacreditar na ciência, no mundo inteiro que clama #fiqueemcasa. Mas, até lá, muito mais gente inocente vai morrer. Por sua culpa.

Foto: Pixabay

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2 comentários em “Mais de mil mortes em um único dia e as pessoas ainda não compreenderam a gravidade da pandemia

  • 20 de maio de 2020 em 10:11
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    Esses dias me ligou uma amiga que mora na Argentina. O pai faleceu já faz 20 anos, de câncer. Ela disse “Se alguém me falasse que eu deveria ficar 60 dias em casa, sem sair nem prá trabalhar, e isso salvaria a vida do meu pai, que dane-se o financeiro!”
    É isso.

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  • 21 de maio de 2020 em 13:07
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    Perfeito Telma! Infelizmente temos que sair para buscar suprimentos ..as saímos de máscara..nós horários em que não vamos enfrentar multidão….mesmo assim…só vemos pessoas sem máscara, agindo como se não.fosse nada o.que esta acontecendo!

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