Mães de UTI

Hoje tive vontade de contar um pouco mais sobre mim e minha jornada pela maternidade… Fui mãe de UTI e, com certeza, foi um acontecimento que me marcou muito…

Contando bem por cima só para explicar o contexto, Biel parou de crescer corretamente ainda no segundo trimestre da gravidez e, embora eu tenha ficado de repouso absoluto e feito dieta especial para engorda-lo, tivemos que tira-lo com 35 semanas do útero. 

No fundo guardava a esperança de poder contar para as pessoas que, embora o médico e o pediatra tivessem me preparado para a UTI, ele tinha nascido super bem e ido direto para meus braços, não precisando de nenhuma intervenção especial… 

Mas ele nasceu, chorou forte e parou. Nasceu até melhor do que eu esperava, com dois quilos, 44 centímetros, mas não era capaz de inflar sozinho o pulmãozinho imaturo e, por isso, ficou em um aparelho de pressão negativa que fazia o pulmão funcionar. Era um tubo grande e grosso demais para um bebê daquele tamanho. A primeira vez que o vi quase desmaiei e tive que ser amparada por enfermeiras e meu marido.

Ver meu bebê naquele estado era terrível. Eu sentia medo, impotência, angústia e culpa, porque eu queria ter sido capaz de segurar a gravidez até o fim.  A médica disse: o quadro dele é bom! Talvez em dois dias ele tenha alta. Mas dois dias vieram e ele pegou uma infecção, e tudo ficou incerto. Agora são 10 dias de antibiótico… fiquei sem chão.

E então começa a rotina sendo mãe de UTI. Mesmo os pais têm horário de visita – diferente do CTI, onde as mães podem ficar o dia todo com os filhos. A UTI é restrita até mesmo para as mães porque quando algum bebê está passando por procedimento ninguém pode ficar no local, além de médicos e enfermeiros. 

Perto do horário de visita, chegávamos e sentávamos junto com outros pais, e sempre que alguém diferente chegava começavam as tímidas apresentações. O que tem seu bebê? Faz tempo que ele está na UTI? E você percebe que existe uma rede de apoio mútuo, onde todos se alegram quando um bebê está melhorando, ganhou peso e está perto da alta, e também todos se entristecem quando um bebê piorou o quadro. Parece errado você se alegrar pela sua criança quando uma mãe recebeu a notícia que seu filho não está bem. Na UTI, todos contém os ânimos e dão sorrisos tímidos. Todos se amparam e falam palavras de apoio. 

Quando algum médico pede para que ninguém entre na UTI ainda porque precisa falar sobre o “RN de Fulana” com a família (é assim que chamam os bebês. Biel era RN de Paula), nesse momento todos seguram a respiração e sofrem junto. É um pesar misturado com a sensação vergonhosa de alívio por não ser o seu bebê piorou o quadro. Nunca é boa notícia quando o médico fala em particular com uma mãe. Quando seu bebê está bem o médico passa de incubadora em incubadora falando o quanto seu filho progrediu. Mamou cinco ml. Engordou dez gramas. Sim! Cada grama e mililitro é comemorado. Mas quando o assunto é particular, nunca é bom. 

Quando você é mãe de UTI, vira parte da rotina do hospital e conhece todas as enfermeiras, médicos e recepcionistas. Quando você percebe, está adicionando pessoas nas suas redes sociais. Ainda quero falar mais sobre isso, e por isso paro por aqui. Amanhã continuamos o assunto.

Foto: Acervo pessoal

Paula Barbosa Ocanha 

Jornalista, casada, trinta e poucos anos, dois filhos e apaixonada por educação infantil. Mesmo antes de casar, eu lia e me interessava por técnicas de educação, livros de pedagogia e questões sobre o desenvolvimento humano, principalmente na primeira infância. Com essa coluna, gostaria de relatar minhas experiências pessoais. E assim espero lhe ajudar, de alguma forma, a passar mais facilmente por essa linda (e assustadora) jornada da maternidade! Vem comigo e me siga também no Instagram @mamaepata

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