Londrina, uma cidade sem árvores

Em pouco mais de 30 anos, cidade perdeu boa parte da arborização exuberante que tinha. Atualmente, encontrar sombra para caminhar nas calçadas é bem difícil

Telma Elorza

Equipe O LONDRINENSE

Há pouco tempo, cerca de 30 anos, quando mudei para cá, Londrina era uma cidade bem arborizada, onde se podia caminhar pelas calçadas tranquilamente, sob a sombra das árvores frondosas fugindo do calorão. Hoje, o calor está mais forte – o verão deste ano bateu todos os recordes – e fugir dele está cada vez mais complicado porque faltam árvores nas calçadas.

Raras são as ruas com árvores em sequência, formando um corredor de sombra

No centro, a maioria das que se encontram hoje plantadas não passam de mudas. Andar por algumas ruas se tornou desafio no sol das 13 horas porque, às vezes, só tem uma árvore de porte maior em toda a extensão da quadra.

Nos anos 1980, a região conhecida por Jardins, no centro, que compreende as ruas Belo Horizonte, Santos, Paranaguá, da Rua Mossoró até Avenida JK, era um exemplo de arborização. Sobraram poucos exemplares quase centenários. Na Quintino Bocaiúva, ali perto, uma tristeza: pode-se contar quantas árvores encontra-se em toda sua extensão. Há trechos totalmente sem nenhum exemplar.

Do total de árvores nas ruas da cidade – estima-se cerca de 100 mil -, muitas estão doentes e precisam ser erradicadas. Outras, no entanto, são cortadas para deixar a fachada da loja, empresa ou edifício com melhor visualização. Nos novos bairros, boa parte foi lançado e comercializado sem uma árvore sequer plantada nas calçadas.

SEMA está multando quem não cumpre TCA

A quem reclamar sobre isso? A culpa nem é da Prefeitura, que tem um programa de distribuição de mudas, no Viveiro Municipal, que repassou 3.992 mudas, em 2018, contra uma fila de 3.600 pedidos de cortes de árvores. “Cada erradicação de árvore, o cidadão tem que assinar um termo de conduta ambiental (TCA), onde assume a responsabilidade de plantar outra árvore”, diz o gerente de Áreas Verdes da Secretaria Municipal do Ambiente (Sema), o agrônomo Ocimar Taroco.

No ano passado, foram 616 TCAs assinados. Mas, em um único dia, 4 de fevereiro, foram assinadas 35 autuações por descumprimento do acordo. “A gente está fazendo fiscalização quase todos os dias, mas junta uma quantidade e assina em bloco”, diz Taroco, explicando o número alto.

Cada autuação pode gerar multa no valor de R$300. O cidadão tem que plantar a muda e cuidar dela. Infelizmente não é isso que acontece. A maioria das mudas não chega a alcançar um 1,8 metro – 2 metros de altura. Sempre tem um vândalo arrancando galhos ou até toda a muda.

Georreferenciamento diz onde estão 41 pontos relacionados à árvores

Talvez a situação agora mude. A Prefeitura agora tem dados espaciais e informações georreferenciadas da arborização urbana. Na quinta-feira (21), a SEMA recebeu inventário com 41 mil pontos relacionados a áreas de árvores, abrangendo a região central da cidade e diversos bairros do seu entorno. O material traz as espécies, localização, nome, porte, altura, circunferência e estado sanitário, mostrando também se estão em calçadas ou áreas livres do espaço público onde se encontram, se há declives ou deformações, locais com tocos de árvores e onde podem ser plantadas novas unidades.

Os dados foram coletados pela Gaia Jr. – empresa de consultoria em Engenharia Ambiental formada por graduandos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).  O projeto foi aprovado no Programa Municipal de Incentivo ao Verde (PROVERDE), que dá apoio e suporte financeiro a projetos ambientais com foco na conservação do meio ambiente e adoção de tecnologias e boas práticas ambientais.

A execução contou com recurso total de aproximadamente R$ 50 mil, oriundos do Fundo Municipal do Meio Ambiente (FMMA) e não contempla os fundos de vale.

O problema é se empresários continuarem a cortar árvores para “limpar” a fechada de suas empresas ou vândalos continuarem a depredar as pequenas mudas antes que elas tenham chance de crescer e encorpar. Aí, meus amigos, vamos continuar sofrendo a cada verão.

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