LIMA

Cassiano Russo, professor de Filosofia

É meia-noite. Lima desperta com dor de cabeça.

– Maldição! Não aguento mais não beber! Preciso ficar sóbrio – conclui o homem.

Lima dirige-se ao bar da esquina:

– Uma cachaça, por favor.

– É pra já – diz o dono do boteco.

– Ah, que delícia, eu estou me sentindo sóbrio com essa pinga!

Nosso personagem sofre de uma doença rara: alcoolismo às avessas. Quanto mais ele bebe, mais sóbrio ele se sente.

– É que preciso me desintoxicar da realidade – justifica-se o ébrio.

– Entendo perfeitamente a sua condição, meu caro Lima. Todos nós buscamos uma fuga.

– Então me deixe beber em paz, cronista de uma figa!

– Acalme-se, rapaz! Estou apenas introduzindo você no texto, não precisa ficar bravo.

– Introduzindo, sei bem como é… Não sou seu personagem, vá buscar outro para introduzir o que você quiser!

– Mas eu só quero contar sua história…

– Pois vá contar história para o diabo!

E o escritor acorda todo vomitado. Olha para o relógio, que marca uma hora da tarde. Ele está atrasado. É segunda-feira. Trabalho no jornal. Correria.

Bebera além da conta na noite anterior e já não conseguia se lembrar que há muito tempo não trabalhava, apenas bebia… e imaginava estórias ainda não contadas em seus livros que ele nunca haveria de escrever, porque tudo é era conversa de bar.

FIM.

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *