Líder ou chefe: as diferenças entre liderança e autoritarismo

Por Alessandra Diehl (psiquiatra) e Rogério Bosso (psicólogo)

Em momentos delicados como o cenário atual brasileiro de pandemia, recessão econômica e instabilidade política poder contar com pessoas com um perfil de liderança empática e construtivista tende a fazer toda a diferença. Vale sempre lembrar que um líder, dependendo de sua postura, pode promover competências pessoais de seus colaboradores ou instabilidade mental. A segunda opção é sempre a chave de uma fechadura que abre as portas para o desencadeamento de adoecimento psíquico e diversas outras doenças mentais (depressão, burn out, ansiedade, consumo de substâncias) em seus subordinados, coordenados ou de seu eleitorado.

As lideranças que constroem e agregam são necessárias para o bom funcionamento de toda organização, quer seja familiar, empresarial ou governamental. Idalberto Chiavenato, brasileiro e um dos grandes nomes na área de administração de empresas e de recursos humanos nos diz que “todas as organizações precisam de líderes em todos os seus níveis e em todas as suas áreas de atuação. Isso significa liderança de lideranças”.

Em organizações modernas e democráticas os líderes que têm em uma relação vertical com seus comandados e que, em geral, não respeitam as opiniões de seus subordinados tem dado gradativamente mais espaço a lideranças de uma nova era, onde o líder é aquele que considera as ideias do grupo que lidera e entende que somente em conjunto poderão alcançar os melhores resultados. Cada um tem seu saber, por menor que seja, mas juntando todas as peças, formamos a grande figura do quebra-cabeça, com sucesso. Todos são importantes, nenhum é mais ou menos importante, todos contribuem em uma relação horizontal. Trata-se, portanto, da revisitação ao “Ubuntu”, ou seja, o termo antigo da região Sul Africana originado na língua Zulu que significa humanidade e, geralmente, pode ser compreendido como “Humanidade para os outros” ou “Sou o que sou pelo que nós somos”.

Novos líderes negativos têm surgido de tempos em tempos nos diferentes cenários sociais. Um líder autoritário desenvolve separação e promove instabilidade mental naqueles que coordena. Esses líderes negativos conseguem com maestria causar sentimento de humilhação, deferir agressões verbais, se não, por vezes físicas, além de pouco valorizar o “sangue” dado pelo colaborador. O reconhecimento fica sufocado pelo pagamento. O líder negativo, com todo seu despreparo, cria com muita facilidade muitas disputas em jogos de poder, cria conflitos desnecessários, gerando mal-estar, sofrimento mental e desestimulação geral.

Entre as habilidades necessárias em um bom líder está a de saber alocar a pessoa certa, no cargo certo. Uma vez respeitada essa habilidade, e alocada uma pessoa competente, com o CHA (competências, habilidades e atitudes) necessário para exercer determinada função, essa pessoa “reproduz” pessoas de qualidade e gera, cada vez mais, saúde mental, proporcionando um local de crescimento mútuo, individual e grupal”. O reconhecimento é parte integrante de um bom líder. Reconhecer é com ele, e além de reconhecer no outro, reconhece em si suas fragilidades, desenvolvendo assim, novos líderes, com os quais também poderá contar para um benefício comum.

Um líder habilidoso desenvolve seu grupo e ensina como caminhar em direção a um objetivo comum, com responsabilidade e respeito. Respeito aos seus interesses, mas também, considerando que cada ser humano em seu grupo possui uma vida pessoal, familiares e objetivos e que, quanto mais desenvolvido e gozando de boa saúde mental ele estiver em cada uma das áreas de sua vida, melhor ele caminhará e contribuirá para uma boa jornada de todos.

E você, qual liderança gostaria de ter em sua caminhada? Você é líder? Então, como tem trabalhado para o desenvolvimento das pessoas próximas a você?

Foto: Pixabay

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