Lei de Consórcios faz 10 anos e consolida setor como acesso ao crédito

Regulamentação gerou investimentos, adesões e diversificação dos tipos de consórcio, com destaque para o de serviços.

Filipe Muniz
Equipe O LONDRINENSE

Carros, motos, caminhões, imóveis no Brasil e no exterior, viagens, procedimentos de saúde, faculdade, eventos… São vários os tipos de bens ou serviços que podem ser conquistados por meio de um consórcio. O setor cresceu em número de adesões, se diversificou e se consolidou como uma modalidade de acesso ao crédito nos últimos dez anos, desde que entrou em vigor a Lei dos Consórcios, em fevereiro de 2009.

A lei 11.795 trouxe estabilidade e segurança jurídica à empresa e consorciados, além de dar clareza sobre as regras de funcionamento, que antes eram definidas em normas pelo Banco Central (BC). O CEO da BR Consórcios, Rodolfo Montosa, foi o presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) entre 2005 e 2009, e trabalhou na proposta e tramitação da lei. “Foi só por esse motivo que eu aceitei a minha eleição: porque a minha bandeira era termos uma lei para o sistema, porque eu sabia justamente o sofrimento que tínhamos por não haver um marco legal”, conta.

Segundo ele, havia um patamar estável no número de consorciados antes de a lei ser implementada. “Com essa estabilidade jurídica, o mercado se animou, do ponto de vista de investimentos, de expansão da base territorial, da oferta de produtos, e fez com que houvesse um crescimento bastante considerável”, relata.

O crescimento econômico gerado pode ser visto nos números divulgados pela ABAC. O setor fechou 2018 com mais de sete milhões de participantes ativos. A cada R$ 100 movimentados na economia brasileira, R$ 3 são pelo sistema de consórcios. Naquele ano, a cada 100 motos vendidas, que são o produto mais procurado, 52,5 foram potencialmente por consórcios. Na sequência, vieram os caminhões: 44% dos vendidos foram potencialmente por consórcios. No caso dos veículos leves, 29 a cada 100, enquanto 24% dos imóveis saíram por esse sistema.

Também foi a partir da regulamentação que o consórcio de serviços nasceu e se consolidou. Segundo a ABAC, houve crescimento de 317% no total de participantes ativos nos últimos cinco anos. De fevereiro de 2015 ao mesmo mês de 2019, os valores concedidos foram, majoritariamente, para serviços residenciais, como pequenas reformas, decoração e pintura (45,3%). O segundo lugar ficou com os serviços de saúde e estética, como cirurgias, serviços odontológicos, entre outros (8%). Na sequência, estão as festas eventos, como formaturas e aniversários (7,8%), seguido de turismo (3,9%), educação, como cursos de graduação e pós (2,2%), e “outros” (32,8%).

Entre os 3,9% está a assistente administrativa Kawana dos Santos Lima, 22. Ela planejava fazer um intercâmbio na Austrália e ganhou uma cota de consórcio de presente de sua mãe, que já havia utilizado essa modalidade de compra. O pagamento deve ser feito em 36 meses, mas em menos de um ano a jovem já foi sorteada. “Eu já tinha o orçamento da viagem que eu queria fazer, esperando ser contemplada. Na mesma semana eu fui lá, fechei o pacote com a empresa e foi tudo muito rápido. Em torno de 15 dias o consórcio já fez a transferência”, conta.

Para Kawana Lima, que viaja no próximo ano, a experiência foi positiva. “Você nunca sabe quando vai ser contemplada, mas é uma forma de conseguir realizar algo de uma forma bem mais segura. Porque se você for esperar guardar dinheiro para conseguir um bem ou serviço, a gente nunca guarda”, afirma.

É o argumento compartilhado por quem trabalha no setor: o consórcio é uma forma de poupar e conseguir pagar o valor à vista de um bem ou serviço desejado. “O pessoal sempre contrapõe dizendo que o melhor é você acumular todo o dinheiro e comprar à vista, mas isso não é o que acontece. Para você comprar à vista, precisa ter todo o dinheiro. No consórcio, você está concorrendo desde o primeiro mês, através do sorteio ou através de um lance”, explica Montosa.

Ao ser contemplado, o consorciado tem a liberdade de escolher a empresa de sua preferência com a qual vai fechar o negócio. Foi o que fez a Kawana ao procurar a Experimento Intercâmbio Cultural Londrina. A gerente, Carolina Catarin, conta que o processo foi rápido e simples, mas que ainda é pequeno o número de usuários de consórcio que procuram a empresa, o que não gera muito impacto no negócio. “Acho que não teve muita diferença desde que a gente começou a aceitar, talvez por falta de conhecimento dos clientes, que às vezes nem sabem que existe essa modalidade de consórcio para viagens”, diz.

Ela argumenta que essa é uma forma de pagamento relativamente nova e que o cenário deve mudar conforme ela se tornar mais conhecida. “A partir do momento que as pessoas se habituarem a utilizar um pouco mais, pode ser vantajoso para muitos clientes. Para quem quer viajar a longo prazo e não tem pressa de ser sorteado, vale super a pena”, afirma.

Para os interessados em usar essa modalidade de crédito, o CEO da BR Consórcios dá algumas dicas. Ele lembra a administradora do consórcio precisa ser de confiança e devidamente autorizada pelo Banco Central. Também afirma que o cliente precisa ter um plano compatível com a sua renda. “Não adianta querer dar um passo maior do que a perna, mas também não precisa ser tímido no objetivo de poupar para conseguir um sonho”, aconselha.

Foto: Pixabay

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