Jair Bolsonaro: um maquiavélico na prática

Se, para o filósofo político Nicolau Maquiavel, o objetivo do governante é conquistar e manter seu poder, no Brasil estamos diante de um clássico exemplo de como a teoria se materializa na prática: Jair Bolsonaro. Para tanto, invocaremos o pai da política moderna, que escreveu o livro O Príncipe cerca de 500 anos atrás para orientar os mandatários como proceder em seus governos. E se tornou um dos livros mais lidos por quem está à frente de um governo.

Em primeiro lugar, Maquiavel rompe com a ética cristã ao separar a moralidade religiosa da moralidade estatal e afirmar que, para o governante, às vezes é necessário mentir, roubar ou trair a fim de manter o poder do Estado e do governo. Seja na política interna ou na externa. Nesse caso, vale tudo: aliar-se a um país, aliar-se a outro. O importante é manter firme seu poder.

Jair Bolsonaro, para conquistar o poder, mentiu ao Brasil: disse que Sérgio Moro, então herói brasileiro anticorrupção que acabou se transformando num anti-herói do país, teria plenos poderes para combater os corruptos. Tão logo os esquemas sujos de seu filho, de sua mulher e até dele mesmo começaram a despontar, como um iceberg prestes a explodir, o super ministro passou a ser desqualificado, desautorizado, até que pediu demissão e saiu com o rabinho entre as pernas. Esse é apenas um exemplo.

O pensador italiano afirma ainda que, para se manter no poder, o governo vive em estado bélico o tempo todo. Não é isso que fazem seus correligionários mais fanáticos? Hoje, as armas são diferentes de outrora: seus filhos, o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub (o pior que o Brasil já teve nessa área), vivem, o tempo todo, disparando contra tudo e contra todos através das redes sociais. Em poucos caracteres, conseguem disparar contra aliados, contra ideologias diferentes, contra gente séria e, assim, agarram-se ao navio afundando e continuam disparando balas de canhão.

De fato, o governo de Jair Bolsonaro incorporou o que de pior ensinou a cartilha política de Maquiavel. Inclusive, o significado pejorativo que se conferiu ao termo maquiavélico. Bolsonaro é ou não é o cara mais maquiavélico que existe? Sem contar que é genocida…

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Reprodução da internet

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