Igrejas, catedrais e outros que tais

Templos e igrejas são muito mais do que apenas lugares de adoração. Hoje, gostaria de falar sobre um tipo de templo em especial, as catedrais. Templos de devoção, mas também de arte, quero falar sobre algumas coisas que muitas vezes deixamos de perceber quando passamos por elas.

Pra começar, o ambiente é extremamente importante para os fins desejados! Um exemplo é a diferença entre fastfoods, churrascarias rodízio e restaurantes franceses: num fast, as mesas são juntinhas e cadeiras desconfortáveis, para que as pessoas comam rápido e saiam, dando lugar às próximas.

Nas churrascarias rodízio, as mesas são muito próximas, grandes e geralmente o ambiente é cheio de cheiro de carnes assadas, fazendo com que você coma menos pois o cheiro já entra por todos os seus poros – fora o barulho de um “ambiente familiar”! Já nos restaurantes franceses e caros(!), a comida vem em pequenas porções, as mesas são separadas e o ambiente é tranquilo, comida feita para você curtir e conversar.

Se para comer existe todo um estudo, imagine então para rezar ou orar, como queiram!

As igrejas foram mudando com o tempo e com as necessidades. No início dos tempos, as reuniões eram feitas nas florestas ou em cavernas, o ser humano era nômade. Com a descoberta de que poderíamos plantar para colher e teríamos que esperar pela melhor época para isso, o ser humano começou a criar comunidades e cidades e com isso os templos mudaram.

Foi daí que vieram as catedrais – e isso já é assunto para uma coluna toda. No começo elas eram de pedra, escuras, até que um dia alguém inventou de colocar vidros coloridos e entramos no período gótico (e, claro, aqui estou simplificando e resumindo bastante)!

Verdadeiras cidades cresceram com as catedrais… Como elas demoravam anos para ficarem prontas, os trabalhadores criavam suas famílias nessa aglomeração. Gerações trabalharam nelas! As catedrais góticas são as mais impressionantes, pois elas têm uma arquitetura “louquíssima” que fugia totalmente das construções vigentes na época.

Elas têm os pilares altíssimos e com um enorme vão, suas cúpulas são como foguetes e temos os vãos coloridos, que são as janelas! Impressionante é pouco! Para se ter ideia, se um pilar daqueles caísse, elas explodiriam para cima e depois iriam ao chão, exatamente como um foguete!

Temos um dos exemplos do gótico na Catedral da Sé em São Paulo, lindíssima… Pessoalmente, amo as igrejas católicas, elas são inteligentemente elaboradas para criarem ambientes que saiam da loucura do dia a dia, trazendo imagens de santos e anjos – não vejo como “adoração” de imagens, mas uma forma de pensarmos que os santos eram gente como a gente, mas inspirados e corajosos para defender seus ideais.. E anjos? Bom, daí vem o que já falei em outra coluna, eles são imagens criadas pelo ser humano, baseados em relatos antigos e contemporâneos.

A igreja católica deu aos artistas enormes chances de desenvolverem seu potencial. Historicamente, cometeu erros gravíssimos, como a inquisição, mas em matéria de arte, guardaram e preservam toda uma parte da história da humanidade importantíssima!

Até hoje a igreja contrata artistas, vide a catedral de Ibiporã, que tem obras do Henrique Aragão, um dos escultores mais importantes do Paraná! Quem o conhecia sabe que o Aragão falava o que queria de uma forma bem rasgada, doesse a quem doesse, e usava muitos palavrões, mas com suas obras sacras ele transcendia a própria existência humana e transformava metais em objetos santos! Ibiporã tem um grande acervo do Aragão e vale a pena conhecer sua obra lindíssima! (Tenho certeza, Aragão, que os anjos em que você se inspirava te receberam como um grande amigo!)

Outra catedral que tive a chance de conhecer foi a de Itajaí, Santa Catarina, extremamente bem cuidada e inspiradora. E o que dizer das igrejas de Minas Gerais?

Templos e igrejas são como oásis e se você quiser sentir a diferença do ambiente, saia da Rua Rio de Janeiro, com todo aquele barulho e cheiros, e entre na nossa catedral! Independente da sua religião, sinta o silêncio diferente que existe lá… Quando algumas pessoas estão rezando ou orando, cada uma no seu mundo, dando um tempo para essa vida louca, ouça a música que toca lá, veja as flores, as esculturas e imagens e perceba como não somos só contas, boletos e máquinas de trabalho… Somos céu e terra, tudo junto e misturado!

Bom dia para todos!

Fotos: acervo pessoal

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

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