Fundo Bordeaux não se preocupa com ação que questiona repasse de ações da Sercomtel Telecomunicações e diz que fará demissões

Coletiva com consultor e CEO do Fundo esclareceu algumas dúvidas dos londrinenses

Telma Elorza

O LONDRINENSE

O Fundo Bordeaux não está preocupado com a ação popular que está correndo na 1.a Vara da Fazenda Pública de Londrina e que questiona a venda do direto de preferência no aumento de capital social da Sercomtel Telecomunicações. Em uma coletiva on-line, na tarde desta quarta-feira (11), o jornalista, ex-Ministro das Comunicações e consultor Hélio Costa e o CEO do grupo Márcio Thiago Arruda, disseram que vão aguardar os posicionamentos da Justiça, entregar todos os documentos que forem solicitados e esperar o resultado, para cumpri-lo. De acordo com Costa, “tudo foi feito rigorosamente dentro da lei, orientado por profissionais e especialistas”.

Segundo o consultor, ninguém quis comprar as ações no primeiro leilão porque tinha um processo de caducidade junto à Anatel e uma dívida de R$30 milhões com a Prefeitura. “Nos chamou a atenção do porque a empresa não ter sido vendida, já que esta região é de grande potencial econômico, progressista e verificamos que havia possibilidades, quando a empresa não fosse mais estatal, de crescimento. Abrimos mão de receber a dívida da prefeitura, porque acreditamos podemos transformar a empresa. Essa vai ser nossa defesa na Justiça”, disse.

O assunto principal da coletiva, no entanto, foi a aquisição pelo Bordeaux de 100% das ações da Copel Telecom pelo valor de R$ 2,395 bilhões, em leilão realizado nesta segunda-feira (9) na bolsa de valores B3, com ágio de 70,94% sobre o preço mínimo de R$ 1,401 bilhão. E como isso impactará a Sercomtel. “O Paraná, para nós, é muito importante. Tem uma população maior que 35 países e economia superior a alguns países. A pandemia mostrou que o setor de telecomunicações é fundamental, hoje, para a economia. E fez os investidores olharem para ele. Houve uma grande mudança nesse momento, para usuários de banda larga. Vamos nos aplicar para melhorar os serviços que as duas empresas sempre prestaram com a maior dignidade”, afirmou.

Segundo ele, uma fusão das duas empresas não está descartada. “A gente tem que levar em consideração que, nestes últimos anos, nós vimos um decréscimo da partição da Sercomtel no setor na região. Ela chegou a ter 80% do mercado e hoje tem menos de 10%. Não é o caso da Copel Telecom que cresceu nos últimos anos, tem uma associação com a Sercomtel desde a criação, e está com os recursos técnicos para expandir. Sem as amarras de ser uma empresa estatal, teremos condições de crescer e apresentar propostas para recuperar os espaços perdidos”. De acordo com Costa, as aquisições foram complementares. “Uma oferece um serviço de comunicação e a outra está com uma infraestrutura de primeira qualidade na mesma região. Então a complementação é absolutamente perfeita”, afirmou.

Arruda disse que o Fundo resolver apostar nas duas empresas porque “o momento é extremamente propício. Acredito que estamos no momento certo, no lugar correto, porque o Paraná é um excelente estado, que oferece todas as condições para o crescimento dessas empresas”, afirmou.

Segundo os dois, a principal aposta das empresas, no próximo ano, será a implantação da tecnologia 5G, cujo leilão deve ser realizado pela Anatel em 2021. De acordo com Costa, serão necessários investimentos que podem variar entre R$500 milhões a R$1 bilhão, dependendo da região. “O agronegócio, que é força motora da região, precisa muito dessa tecnologia e nós vamos oferecer isso”, afirmou Hélio Costa.

Ambos garantiram que Londrina sempre será a sede da Sercomtel, pela expressão que a cidade tem na região, mas não necessariamente da Copel Telecom. “Toda estrutura administrativa da Copel foi desenhada com muito sucesso em Curitiba e não dá para se desdenhar disso. Em relação a mudar de nome, os dois negócios tem exigências diferentes. No caso da Copel, nós poderemos usar o nome por um determinado período somente. Depois teremos que devolver a marca à Copel”.

Também não garantiram os empregos dos funcionários da Sercomtel, assim como terão que “devolver” os funcionários da Copel. Segundo Costa, a Sercomtel apresenta uma força de trabalho extremamente qualificada. “Mas, claro que vai haver ajustes. Quando se começa uma nova empresa, tem que trazer gente nova e, lamentavelmente, cortes terão que ser feitos”, disse.

“Toda a análise vai ser feita criteriosamente, com muito respeito. Porque, mesmo no caso da Sercomtel que passa por dificuldades, não foi fácil para os funcionários trazerem a empresa até onde ela chegou até hoje. Nós temos que valoriza-los e tratá-los com respeito. Mas além do direcionamento da empresa que vai mudar, existem alguns funcionários que não vão querer continuar e isso tem que ser levado em consideração. Por outro lado, a Copel Telecom será entregue sem nenhum funcionário. Mas isso será uma escolha individual, vamos abordar caso a caso. Então, por um lado temos uma empresa com um quadro de funcionários bons e por outro, uma que teremos que compor o quadro. Então, isso vai fazer parte da nossa análise. Mas garantir todos os empregos, nenhuma empresa pode fazer”, disse Arruda.

Foto: Print da coletiva

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