Experiências de cabide: mudança de estilo e a beleza da alfaiataria casual

Já contei aqui que sempre amei alta costura e que na minha adolescência eu tive um guarda roupas babadeiro e estrelado. Mas a vida adulta chegou e, com ela, uma crise financeira que me impediu de manter o estilo de vida e de roupas. Sem outra opção, passei então a frequentar brechós e misturar estilos e tendências para conseguir outro visual. Me lembro de ter dito para minha mãe algo do tipo: “Fica descolado e aí parece que eu tô mudando de estilo propositalmente”.

Mas a verdade é que eu estava bem chateada por não poder seguir usando as roupas de que eu tanto gostava. Mas fui em frente e passei a tesoura em todas as minhas calças de alfaiataria – com barras que seriam tipo as mães das Flare – e deixei com a barra estreita, bem sequinha e passei a usar com regatas básicas e camisetas divertidas. Na época não havia tanta variedade de estampas como hoje, que dá pra inclusive fazer personalizada por um preço bacana, mas eu me lembro de ter uma vermelha muito legal com o rosto da Rainha Má, da Branca de Neve, e uma interessantíssima com a cara do Bozo.  O que eu não imaginava, nessa época, é que esse estilo se tornaria uma marca registrada minha, eu me casaria com ele e seríamos felizes para  sempre.

Quando cheguei aos 30, fiquei feliz ao me dar conta de que sim, eu tinha peças incríveis de alfaiataria no guarda-roupas como havia planejado, mas de um jeito diferente. Claro, agora que já não posso mais usar tanto salto alto, penso na maioria dos looks com tênis, sapatilha ou bota baixa. Atualmente, meu look preferido é calça de linho quase sem tingimento com regata listrada e tênis vermelho de cetim da Osklen. Se você me vir por aí com esse visual, pode ter certeza de que estou num dia muito feliz.

Me lembrei disso tudo quando navegava pelo site da Vogue Brasil na semana passada e me deparei com uma matéria muito boa sobre combinações de peças de alfaiataria com outras mais artesanais, como blusas de crochê, saias de ráfia tramada como tecido e blusa em tailoring, acessórios de palha e patchwork. Mas claro, numa versão alta costura e muito mais sofisticada.

Essa alfaiataria mais leve, um tanto esporte e casual, com certeza vai continuar sendo destaque na próxima estação e o grande barato será apostar em combinações mais inusitadas. Também devem continuar com tudo outros looks seguindo essa linha, como a alfaiataria em brim e jeans leve e em combinações monocromáticas. Adivinhem quem vai percorrer lojas e brechós para garimpar novidades nesse sentido?

Foto: Divulgação

Ana Paula Barcellos

Formada em História pela UEL, trabalhou 10 anos como escritora para blogs e sites sobre cultura e lazer. Atualmente, trabalha com marketing digital e pesquisa de tendências e, junto com Angela Diana, é proprietária da Rosita, marca de acessórios. 

Fotos: Pinterest

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