Experiências de cabide: Moda, looks, cabides e prioridades nessa quarentena

A vida ficou realmente diferente depois da quarentena… estamos vivendo tempos incertos e cheios de reticências. Ainda temos mais perguntas que respostas, não sabemos como as coisas serão ou ficarão depois que tudo isso passar, só sabemos que nada será como antes. Já não é.

Cheia desses pensamentos e incertezas, sigo trabalhando no meu home office. Continuo pesquisando tendências, conversando com clientes, criando e desenhando novas peças, imaginando como será a primeira coleção pós-quarentena da Yo.Ana – minha marca solo de acessórios. Nunca tive tantos pontos de interrogação na cabeça.

Essa nova forma de viver, em isolamento e com algumas perspectivas um tanto sombrias no que diz respeito ao bem estar coletivo, me trouxe muitas pausas. Senti uma necessidade enorme de parar e repensar o que estava fazendo, tudo o que vinha planejando para a marca, para meu trabalho e, consequentemente, para minha vida. Percebi que várias coisas já não faziam sentido e que nem eu sou como antes. Meu armário que o diga!

Uma das primeiras coisas que fiz nessa quarentena foi organizar o guarda-roupas. Havia feito a tradicional sessão de desapego no fim do ano mas, apenas três meses depois, parecia que tinha muito a ser doado, muita roupa que já não cabia nem ali, nem nesse novo eu “quarentener”. As pilhas diminuíram bastante, agora tenho cabides vazios e espaço nas gavetas – coisa inédita na minha vida.

Não sei como tem sido para vocês nesse sentido, mas a vontade de me arrumar se foi. Olho para as roupas de que tanto gosto, para minhas botas queridas (tinha acabado de adquirir dois pares novos, maravilhosos, pouco antes disso tudo explodir) e imagino dias melhores em que poderei usá-las. Mas, agora, minhas fiéis escudeiras têm sido as blusas de alcinha e as calças de malha – algumas lembram calças de pijama. Some a esse look modelos variados de Havaianas e, voilà, você sabe exatamente como estou me vestindo nessa quarentena!

É muito interessante notar como, ainda assim, certos hábitos continuam vivos na gente. Cada vez que vou me vestir, escolho a blusa que tem o melhor caimento com a calça que vou usar. Com os chinelos, a mesma coisa: escolho aquele que contribui para deixar o look o mais estiloso possível.

Quase ninguém acredita, mas abri mão dos acessórios. Sim, “Ana Colares” está sem colar, cordão, nada, pescoço livre. Nem brincos tenho usado. Isso porque a superfície dos acessórios também pode ser um vetor de transmissão do Coronavírus, e seria difícil demais mantê-los adequadamente higienizados sem prejudicar as peças.

Além das mudanças nos hábitos, tenho repensado minha forma de criar, de olhar, de consumir, de “ter”. Isso, com certeza, vai ser diferente pra todo mundo depois que atravessarmos esse período.

A indústria da moda já está sentindo os impactos e avaliando mudanças, formas de se adaptar. Já se sabe que os desfiles não continuarão acontecendo da mesma forma, grande parte deles deve ser transmitida on-line, apenas. E essas mudanças não estão sendo pensadas apenas para esse momento, mas para depois também. A forma de criar, confeccionar, vender, todo o processo deve sofrer modificações.

A pergunta que fica, agora, é se essa “onda espontânea de solidariedade, criatividade e praticidade, crescerão com força suficiente – por tempo suficiente – para mudar as prioridades da moda”, como bem apontou Sarah Mower, da Vogue Internacional.

Fazer previsões, nesse momento, é impossível. O que já se sabe é que esse é um momento de repensar prioridades, em todas as áreas, dentro e fora.

Não consigo me arrumar, mas manter minha rotina de autocuidado é algo indispensável para mim. Manter as unhas bem aparadas e com um formato bonito, o cabelo saudável e brilhante, a pele macia, são formas de me manter centrada, equilibrada e mais feliz – e de manter a sanidade mental também!

Tem gente que precisa se arrumar para estar bem. Precisa colocar uma roupa bacana, calçar sapatos bonitos, se enfeitar, se perfumar, mesmo que seja para ficar em casa. Também é uma forma de se cuidar, de encontrar o próprio equilíbrio interno.

Eu busco manter minha fé bem viva e peço por dias melhores, dias melhores que cheguem logo. Enquanto isso, sigo respirando moda, arte, criação. Pesquisando, me informando, me inspirando. Algo de bom pode vir desse momento de reclusão. Quem sabe também me animo e incremento esse meu look básico com uma echarpe, um lenço, um turbante…

Ana Paula Barcellos

Formada em História pela UEL, trabalhou 10 anos como escritora para blogs e sites sobre cultura e lazer. Atualmente, trabalha com marketing digital e pesquisa de tendências e, junto com Angela Diana, é proprietária da Rosita, marca de acessórios.

Fotos: reproduções da internet

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