Estamos preparados para cuidar dos nossos pais?

As novas gerações vem enfrentando a dificuldade entre prestar o auxílio aos pais idosos e administrar as próprias vidas

Fabio Bomfim da Silva

O LONDRINENSE

Quem nunca se pegou pensando no passado, lembrando do colo aconchegante do pai ou da mãe? Buscando, na lembrança, reviver aquele momento em que um abraço ou um conselho eram suficientes para nos fazer sentir protegidos e confiantes para enfrentar todas as batalhas e medos.

Quando eu estava com 25 anos e tinha me mudado para São Paulo, fui surpreendido com um apêndice supurado e tive que ser internado às pressas. Apesar de toda a estrutura que o plano de saúde empresarial oferecia e a atenção dos amigos e colegas de trabalho, eu só me senti confortado quando minha mãe entrou pela porta do quarto do hospital. A sensação de conforto e segurança que tive naquele momento foi inesquecível.

O natural da vida é que os filhos cresçam, formem a própria família e sejam felizes. Vencidas as etapas que nos levam à vida adulta, os almoços de domingos nos prestam a alegria da manutenção dos laços familiares e o estreitamento da relação entre os avós e netos. Nossos pais, ainda saudáveis,  continuam tendo uma participação fundamental em nossas vidas. Além dos conselhos que buscamos, participam ativamente da criação de nossos filhos.

O avanço da medicina proporcionou um aumento da expectativa de vida e nos proporcionou o prazer de conviver com nossos pais por muito mais tempo. Mas, como diz o ditado, o tempo dá mas ele também cobra. Com a idade avançada, surgem as dificuldades de locomoção, fisiológicas e mentais. É nesse momento que nos deparamos com um momento crucial de nossas vidas, que é o de honrar pai e mãe.

Criados numa época onde os compromissos profissionais são infindáveis e ocupam boa parte do dia, além da criação dos próprios filhos, nos vemos diante do fato que teremos que retribuir todo o amor a nós dispensados e retribuir assumindo os cuidados daqueles que tanto fizeram nós. Começa aí, um problema para o qual muitos filhos não se prepararam. O de assumir a responsabilidade por seus genitores. A relação com os pais pode não ter sido muito harmoniosa. A situação financeira pode não contribuir para os cuidados necessários. Pode não existir estrutura emocional para o convívio com doenças degenerativas, entre tantas outras.

A sociedade conta com uma estrutura precária no sistema público de saúde. Há muitos poucos lugares especializados para o cuidado com idosos e, quando há, existe uma carência enorme por vagas. Os filhos são acometidos pela angústia entre o desejo de honrar os pais e a impossibilidade, muitas vezes financeira, de proporcionar o tempo e o tratamento adequado. Certamente esses conflitos são responsáveis por grandes desarranjos emocionais dentro das famílias.

Há a necessidade de um planejamento familiar, financeiro e uma política pública para as próximas gerações. Já é conhecida a expressão que temos uma sociedade de pais órfãos de filhos vivos.

Certamente a preparação para esses momentos oferecerá dignidade aos nossos pais e o alívio do dever cumprido.

Do nascimento até o início da fase adulta, quando alçamos voo solo nas nossas vidas, os pais são o nosso suporte em todas as experiências da infância à adolescência. Seja ela educacional, emocional ou profissional.

Cumprem com maestria o dever de nos criar. Ensinam a falar, andar, a cair e levantar, tiram as nossas dúvidas e garantem e norteiam a nossa educação até estarmos prontos para a formação da nossa própria família. Com muito amor e dedicação, tornam-se o modelo daquilo que desejamos e queremos ser um dia.

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *