Esculturas ou a emoção da tridimensão

Diz -se tridimensional todo objeto que tem volume, altura e largura (o desenho e a pintura são bidimensionais, ou seja, altura e largura). Consideramos tridimensões: objetos e esculturas.

Existe no mundo da arte um tipo bem especial de escultores, são os ceramistas! Pessoalmente acredito que, entre 10 artistas, dois ou três saem escultores e apenas um ceramista. A cerâmica é especial, ela requer que o artista não a controle, mas trabalhe mais de que nunca “junto” com a massa, pois ela é viva, por assim dizer! Muitas pessoas não gostam do contato com o barro ou não conseguem trabalhar com ele, justamente porque precisamos ter em mente que devemos aproveitar o que o barro ou a argila nos inspira.

Anjo, de Angela Diana (Foto: Acervo Pessoal)

Outro tipo muito especial de artistas são os que produzem objetos ou instalações, pois, para que o espaço envolva o espectador, ele deve ser pensado e esquematizado para causar emoções ou sensações e nesse caso o artista precisa ter total controle do material e do que ele quer com a obra.

Vejam bem, não quero dizer que não exista a espontaneidade nesses casos, mas que existem sim mais projetos. Óbvio que na arte existem muitas exceções.

Tive há anos a oportunidade de ver e vivenciar uma incrível emoção com duas exposições no museu do “Olho” ou Oscar Niemeyer, em Curitiba… Uma delas era uma retrospectiva do artista Arthur Bispo do Rosário, que faleceu em 5 de julho de 1988. Acredita-se que ele morreu aos 77 anos, pois ninguém conseguiu descobrir com exatidão a data do seu nascimento, o que se sabe é que ele nasceu em Japaratuba, Sergipe.

Ele é um dos casos mais emblemáticos nas artes, pois foi constatado que ele tinha esquizofrenia e ficou internado 40 anos num manicômio no Rio de Janeiro. O manicômio tornou -se um museu e guarda toda a obra de Bispo. Por que um caso emblemático? Porque quem tem sérios problemas mentais não consegue ter um ritmo intenso de trabalho como o dele, além dele ser muito respeitado no manicômio e chegar ao ponto de ter 5 quartos só para que ele pudesse trabalhar!

Obra de Arthur Bispo do Rosário (Divulgação)

Lá fez muitos objetos e séries, também bordava…Ele acreditava ter tido uma visão de Nossa Senhora anunciando o fim do mundo e dando a ele a missão de fazer um inventário de tudo o que ele conhecia.

 O outro artista que estava com uma exposição era Francisco Brennand, que a meu ver é um dos melhores ceramistas que temos no país!

Nascido em 11 de junho de 1927, em Recife, Pernambuco, continua ativo até hoje. Brennand criou um universo próprio e foi amigos de grandes artistas, tanto brasileiros quanto estrangeiros.Para se ter ideia, um dos projetos dos jardins do seu museu foi projetado por Burle Marx!

Ele transformou uma antiga propriedade da sua família num museu ao ar livre, um templo para as artes, criou também uma forma de fazer azulejos que são pintados como as esculturas e são comercializados por todo o Brasil. Brennand só mostra sua obra aonde ele quer, e é difícil vê-la fora do seu atelier, ele é extremamente culto e um dos artistas mais prolíficos na sua área.

O que dizer de ver dois grandes artistas como esses, de mundos tão diferentes, no mesmo dia?

Guardei na memória a sensação de grandeza e vida pulsando nas enormes esculturas de Brennand, toda a energia da cerâmica, a liberdade e a sensualidade das formas!

Uma espécie de sentimento cínico do mundo com uma tremenda vontade de viver…

Já do Bispo, me veio uma sensação de melancolia, outra visão do mundo, uma espécie de catálogo de todos os objetos conhecidos do dia a dia, e seus incríveis e majestosos mantos bordados  aliás, parece me que ele queria ter sido enterrado com um deles, para que estivesse bem vestido para conhecer Nossa Senhora.

Dois grandes artistas conhecidíssimos lá fora e que, aqui, poucos sabem que existem! Uma pena!

Fica aqui a dica! O Nosso guru “google” tem várias reportagens, fotos e fatos sobre eles! Vale a pena aprofundar e conhecer suas obras e respectivos museus!

Boa semana pessoal!

Foto: Pátio das Esculturas no Museu de Francisco Brennand, em Recife -Divulgação

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

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