Ele me deu um beijo na boca

Raquel Santana (*)

Costume herdado do povo do teatro, já dei bitoca na boca de praticamente todos os meus amigos. Incluindo algumas meninas. Sem preconceitos. O problema é que quando bebo, fico alegrinha e acho que conheço todo mundo.

Na época da faculdade, quando a gente misturava as coisas, o trem piorava. O bom é que sempre tinha alguém sóbrio junto pra controlar. Via degraus aonde não existiam e achava que era amiga da festa toda. Fui tão beijoqueira que quase ganhei o concurso de Rê Bordosa no Valentino. Perdi pra Maeve Mendonça. Mas beijei o Angeli (na boca), quando o cartunista veio lançar a revista da personagem no bar. Quer prêmio maior do que esse? O Angeli sempre foi gato.

No lançamento da edição, quando o Valentino ainda era na JK, próximo ao Moringão, o Pino, dono do bar na época, montou a mesa de autógrafos na entrada. Uma fila quilométrica se formou. Ao chegar ao local, o Angeli me chamou pra sentar ao seu lado. E lá fiquei eu, me achando, enquanto ele autografava os gibis. Mas meu contato com ele não passou do beijo. Não sei porque, acabei a noite em outro lugar, sozinha.

Daquela vez que a família veio visitar, chegaram a aventar a possibilidade de uma candidatura à vereança da cidade, tamanha a popularidade da pessoa no Calçadão. Imagina o povo do Proteu saindo do ensaio bem na hora do passeio familiar. Meu irmão, puto, me achando a maior galinha. Até explicar que focinho de porco não é tomada, estava instaurado o inquérito familiar.

Mas o beijo na boca mais engraçado que dei foi no Caetano Veloso. Apaixonada pelo cantor na época (hoje acho chato), Caetano veio ao Moringão apresentar o show “Cores, nomes”. A gente nunca tinha grana para entrar nos eventos. Como fazer? Fácil: era só fazer amizade com os seguranças. Com direito a camarote no final do show. Foi assim que vi Gal Costa e Maria Bethânia bem de pertinho, entre outros artistas. Mas de Caê não consegui nem chegar perto.

Mas, e o beijo? Explico: Com a vinda do artista, vários outdoors foram espalhados pela cidade. Dias após o show , fomos a uma festa numa república. E lá na sala, lindo e reluzente, estava Caetano, coladinho na parede. Já alegrinha, pedi para um amigo me levantar para beijar a boca dele. Bem, só posso dizer que ao ser levantada, o tal amigo não aguentou o peso e bati minha boca com tudo na parede. Ganhei um belo corte e uns lábios maiores do que já são. Mas ninguém pode falar que não beijei Caetano na boca. E claro que todo mundo riu, riu e riu. Basta de filosofia.

(*) Jornalista radicada em Curitiba mas apaixonada por Londrina

Foto: Acervo pessoal

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