É mesmo possível fazer look de editorial de moda com roupa de brechó?

É, sim. Tão possível que tem influencer com canal com essa mesma proposta: postar looks de revista com peças compradas somente em brechós e mercado de pulgas.

Escolher peças em brechó é atividade que tem que ser rotineira, tem que fazer o tal do garimpo mesmo. Às vezes até acontece de dar sorte e encontrar duas peças babadeiras no mesmo dia e local, mas, via de regra, “fazer” guarda roupa com peça de brechó leva tempo e dedicação.

A gente ama brechó! A Ângela se rendeu aos encantos dos brechós no fim do ano passado. Ela resistia, dizia que não dava conta de tanta roupa usada junto, que não era a dela. Mas ao fecharmos parcerias com brechós muito bons no centro, ela constatou o que se diz há vários anos já: para além da sustentabilidade, comprar em brechó é mesmo uma boa opção.

Não apenas pela chance de comprar peças novas ou seminovas a um preço bem abaixo do encontrado nas lojas; o brechó oferece a chance de encontrar peças diferentes, de estilos que não se encontram no shopping ou no calçadão e que ignoram o principio de tendência e sazonalidade. É possível encontrar modinha no brechó (e muita), mas não é o foco principal desse tipo de negócio. Pelo contrário, os brechós são justamente conhecidos por oferecerem roupas de estilo alternativo e retrô e para todas as estações.

Vale a pena? A gente diz sim também. Claro, para tirar o maior proveito desse tipo de experiência, é preciso ter algumas coisas em mente: O que você busca, que estilo quer acrescentar ao guarda-roupa (se quer coisas menos comuns, peças ousadas para compor look festa, algo mais diferentão pra quebrar a monotonia dos looks do cotidiano etc.) e ficar muito, muito atenta a questões como qualidade do tecido, estado das costuras etc. Dou preferência para peças com até 10 anos de vida. No meu caso, procuro peças mais diferentonas mesmo, que tragam um algo mais para meu estilo: um geométrico vistoso, uma estampa inusitada, um bordado diferente, uma brusinha com cara de relíquia.

E a roupa de editorial de moda? Bom, essa pergunta ficou martelando na minha cabeça depois que a Vogue Brasil fez uma matéria garimpando peças iguais às usadas nos editoriais de moda em brechós de São Paulo – e encontraram as mesmíssimas peças de um editorial feito em 2000: calça laranja, blusa de poá PB e uma espécie de colete leve verde, também contrastando. A gente ama a Vogue, mas desconfia desse visual. Fica parecendo look improvisado com blusa da tia, calça da irmã e cintão por cima, sabe? A gente acha que fica incrível quando você descobre uma blusa com manga diferente, coloca com uma calça que é tua cara, se olha no espelho e constata: – Uau, parece até look de de revista! Mas cópia que fica meio caricata a gente curte não…

Se eu pudesse resumir o barato dos looks brecholentos, diria: 2018, eu ia ser madrinha e já tinha o vestido perfeito. Perfeito mas quente, muita renda! Calor de Londrina, pressão baixa, não ia dar bom. Um dia antes do casamento, corri num dos brechós que mais frequento, na Sergipe: – Marcelo, sei que você já vai fechar, mas vou ser madrinha amanhã e não quero morrer! Ele riu e falou pra eu entrar. Resumo: depois da cerimônia, todo mundo sentado pro jantar, corri pro banheiro e voltei outra. Usando um vestido leve com arabescos de cores vibrantes, não tinha nada igual no salão. Todo mundo quis saber do vestido! E, pensando agora, tava arrasante mesmo; poderia ter, facilmente, saído de uma página de revista de moda.

Foto: Editorial Vogue

Ana Paula Barcellos

Formada em História pela UEL, trabalhou 10 anos como escritora para blogs e sites sobre cultura e lazer. Atualmente, trabalha com marketing digital e pesquisa de tendências e, junto com Angela Diana, é proprietária da Rosita, marca de acessórios. 

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