É hora de profundas transformações

Pelo que se percebe, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será mesmo adiado. Ainda sem data definida, pode ser realizado de 30 a 60 dias depois do que, inicialmente, estava previsto. Realmente a pandemia do coronavírus está provocando consequências maiores que as que se imaginava. Ou muito mais do que se queria. E o aprofundamento das desigualdades sociais nesse aspecto é uma realidade cada vez mais perceptível.

De fato, muitos alunos estão tendo dificuldades de manter seus estudos on-line por não terem acesso aos recursos e equipamentos disponíveis e necessários para assistir às aulas, desde computadores, celulares e internet. Ademais, não têm condições socioeconômicas ideais para não interromper os estudos, como saneamento básico, energia elétrica e até uma alimentação plena. Já falamos por aqui e isto é cada vez mais real: o ano letivo de 2020 vai ruir e, se as medidas cabíveis não forem tomadas, irá prejudicar ainda mais os estudantes.

No esteio do Enem, ou melhor, a despeito do exame nacional, muitos vestibulares Brasil afora estão sendo adiados ou cancelados. Não é momento de insistir em realizar uma prova sabendo que milhares de alunos poderão não conseguir realiza-la por conta da quarentena compulsória. Isso aprofundaria ainda mais as desigualdades sociais já expostas por essa pandemia.

O que governo federal e instituições públicas e privadas precisam fazer é uma minuciosa reflexão e transformação da educação no país. Está na hora de mexer na estrutura das nossas aulas, no formato dos nossos exames, no tipo de entrega do conteúdo do ensino médio e em muitos outros aspectos relacionados o processo de ensino e aprendizagem. Aliás, já passou da hora de algumas dessas mudanças começarem a ser implementadas. A crise pela qual estamos passando nos mostrou que, se elas já tivesse sido iniciadas, não sofreríamos tanto quanto estamos sofrendo. As dores seriam menores. E as consequências, menos devastadoras.

Por isso, a pergunta que fica no ar é: até quando o governo dará murro em ponta de faca em vez de, de fato, estabelecer uma educação de qualidade e que compreenda as diferentes realidades existentes no país?

Tiago Mariano 

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.

Foto: Pixabay

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