Diário de quarentena: Artistas favoritos

Desde que comecei a escrever a coluna, procurei trazer para vocês um pouco de cada coisa do mundo das artes! Desde artistas famosos até um pouco de história, de como a arte nasceu com o ser humano…Todos os artistas são importantes, mesmo aqueles não tão conhecidos e é difícil falar quais deles são meus favoritos! Então, vou mudar a palavra “favoritos” por “referencias”!

Quadro de Leticia Marquez – Foto:Arquivo pessoal

Minha primeira grande referência foi a artista Leticia Marquez, fiz parte do seu atelier por 8 anos…E seu trabalho extremamente expressivo foi o que primeiro me abriu as portas para a percepção. Todos temos essa “porta” imaginária…E para cada uma delas existe uma “chave”. Pode ser uma pintura, uma música, uma poesia, dança, opera, texto… Enfim, alguma obra que mexa tanto com seu emocional quanto com o racional (lembrando que tem duas formas básicas de se ler uma obra de arte, objetiva ou subjetiva).

Guernica de Pablo Picasso – Foto: reprodução da internet

Nessa época, quando ainda era principiante, ganhei um livro sobre Pablo Picasso…Nem preciso falar que muitas ” portas” se abriram! Ver o trabalho que ele realizou sempre me faz ter vontade de pintar. A obra favorita? “Guernica”.

Sanguínea de Miquelângelo – Foto: reprodução da internet

Mas eu não comecei pintando… Eu desenho desde criança e outro artista que foi uma referência forte foi Miguelangelo, por incrível que pareça. Não as esculturas, mas o desenho… Para mim, a capela Sistina é um assombro de tão bela! E é interessante isso…sobre gostar primeiro dos seus desenhos e depois de anos das suas esculturas já que ele era reconhecidamente escultor. Ocorre que a escultura veio muito depois da pintura para mim.

Para sentir uma escultura creio que é necessário ter muita percepção espacial, e ter em mente que os escultores de raiz gostam de deixar aparecer a cor do material e não colorir por cima. Sentir o material como ele é! Lógico que, com o tempo e estudos das obras, entendi que uma das genialidades de Michelangelo era transformar o mármore,  uma pedra gelada, em uma forma humana, quase viva, onde você pode sentir as veias pulsantes da figura e até ter a sensação de que são quentes,  feitas de carne e osso.

Quadrados com círculos concêntricos de Kandinsky – Foto: reprodução da internet

Tive meu tempo de Kandinsky…O pintor e músico que transformou a música em formas de cores. Ele entendeu que ritmo, movimento, harmonia, eram tanto partes de uma partitura quanto de uma pintura, e tirou as formas humanas ou conhecidas!

Girassol de Van Gogh – Foto: Reprodução da internet

A emoção era a cor! E da cor, veio Van Gogh… O artista atormentado e que manipulava as cores como ninguém, estivesse ele angustiado ou não. Suas obras são puro movimento e emoção. Como não colocar girassóis em vários trabalhos? Puro Van Gogh!

Mas…um dia, dei de cara com um livro de Klimt (ah! nessa época , as figuras humanas estavam voltando a fazer parte do meu trabalho…). Se observarem de perto as figuras dele, vão perceber pequenas pinceladas de cores variadas, de perto… Pois de longe são cores de peles e de luz e sombra que trazem para as figuras expressões de dor, de amor, de êxtase…

Oficina de Francisco Brennand em Recife – Reprodução da internet

E voltando para a escultura, não como não falar de um dos maiores ceramistas do Brasil : Brennand! Esse toca meu coração e minhas raízes! Minha família veio de gerações de ceramistas, gente que conhece o que é queimar um forno, que barro serve para o melhor tijolo, o que é saibro…Esculturas gigantescas de Brennand reinam no seu museu no Recife e só saem de lá para exposições muito especiais.

Obra de Arthur Bispo do Rosário – Foto: Reprodução da internet

E para encerrar a coluna de hoje, outra referência muito importante: Bispo do Rosário! O artista que viveu 40 anos num manicômio no Rio de Janeiro e que quebrou paradigmas…Tanto do que “é” ser louco, quanto do que é “ser artista”…famoso por seus objetos e “inventário do mundo”, suas obras me ensinaram que “obra prima” pode ser sua caneca de café, que não precisa ir longe de tudo para buscar inspiração, basta olhar ao redor e ressignificar o objeto. Andy Warhol transformou uma lata de sopa de tomate em obra de arte, Bispo transformou canecas de alumínio entre, outras coisas…Quem transforma em obra de arte é o artista!

Se eu fosse colocar todos aqui seria assunto para muitas colunas… Espero que um desses seja a inspiração tanto de vida quanto de obra para vocês quanto são para mim! Vocês tem alguns artistas favoritos? Falem para mim! Só colocar nos comentários!

Boa semana pessoal, força sempre!

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

Foto principal: Mãe e filho, Gustav Klimt – Reprodução da internet

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