Costureiras e “fazedores de moda” com pé vermelho: As saias plissadas de Olivia Diana

Londrina sempre foi muito bem servida de costureiras e estilistas que faziam roupas de cair o queixo. Hoje conto sobre duas delas que viveram aqui e arrasaram fazendo moda “com as próprias mãos”.

A primeira delas é Olivia Diana. Costurava desde novinha e criava as próprias roupas. Já costurando “pra fora”, conseguiu emprego em uma famosa loja de noivas da cidade em sua época, a Casa Torres. Desenhou e costurou o vestido de noiva de muitas das moças finas da sociedade londrinense de então.

Olivia Diana, em foto do acervo pessoal de Angela Diana

Era tão boa que quando montou ateliê em seu apartamento no sexto andar do Edifício Tókio, levou consigo as clientes fiéis. Entre rendas francesas e cetim italiano, criou modelos exclusivos que sempre traziam algo diferente. Alguma adaptação inteligente, detalhes finos e sutis que ela desenhava levando em consideração beleza, inovação e o estilo pessoal da cliente.

Ela também era a única a fazer plissado com a técnica original utilizada pelo Ateliers Gérard Lognon, com forno de vapor e molde de papel Canson – que trazia de fora do país para criar os padrões no tecido de forma perfeita – e foi responsável por confeccionar as tradicionais saias do uniforme usado no Colégio Mãe de Deus durante 40 anos. 

Nesse ateliê, entre tecidos finos – de cujo cheiro ela ainda se lembra – e máquinas de costura, a artista visual Angela Diana, sua sobrinha, sentiu surgir o interesse por tecidos, modelagens, pontos e acabamentos. Ela diz se lembrar dos croquis da tia e de como todos os elementos ali eram instigantes. Atualmente, trabalhando com criação de joias e acessórios, ela diz que o trabalho e estilo da tia ainda a influenciam.

Também tive a sorte de conhecer mulheres incríveis nessa área e ter minha própria costureira durante minha adolescência – além do privilégio de ter um guarda roupa de alta costura feito sob medida.  Se chamava Dona Criseide, e se aposentou com mais de 60 anos em seu quarto de costura no Edifício Le Jardin, na Rua Paranaguá, no fim da década de 90.

Costurou principalmente entre 1960 e 1980 e também trabalhou para muitas das senhoras distintas aqui da cidade. Com gosto impecável e mãos maravilhosas, realizou meus sonhos de menina ao copiar e adaptar vestidos usados por atrizes como Audrey Hepburn e Rita Hayworth.

Camisas de seda, vestido de tafetá, top de linho bordado à mão: eu tive tudo e me sentia uma diva de cinema! A única coisa que ela se recusou a fazer foi um top drapeado complicadíssimo, que tive que encomendar para José Belaque, estilista de destaque na época aqui em Londrina. Saudades da Dona Criseide – e de ter roupas assim! Infelizmente, não consegui imagens dela nem saber por onde anda sua família.

E você: Costurou, costura ou rabisca modelo de roupa no guardanapo pra costureira do bairro confeccionar? Manda um oi pra gente, vamos contar essas historias cheias de linhas e talento por aqui.

Foto: Londrina Memória Viva

Ana Paula Barcellos

Formada em História pela UEL, trabalhou 10 anos como escritora para blogs e sites sobre cultura e lazer. Atualmente, trabalha com marketing digital e pesquisa de tendências e, junto com Angela Diana, é proprietária da Rosita, marca de acessórios. 

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