Com Meu Pai, o Oscar vai para Anthony Hopkins?

Em The Father, a trama gira em torno do personagem solitário e octogenário Anthony (Anthony Hopkins – O Silêncio dos Inocentes – 1991) e sua filha Anne (Olivia Colman – A Favorita – 2018). Quando Anne se decide mudar de cidade e se afastar do pai, fatos estranhíssimos começam a acontecer e mergulhando nesses acontecimentos surreais, descobrimos algo horrível e irremediável; a perda de memória de Anthony.

Na direção de Florian Zeller (A Outra Mulher – 2018), somos sugados por conversas que se repetem e por olhares intensos, caindo em uma trama cinematograficamente inovadora e inesperada. Meu Pai é uma peça teatral do próprio Zeller e adaptada e dirigida na tela por ele. Zeller deixa as velhas fórmulas hollywoodianas de lado e consegue nos fazer enxergar o mundo a partir do olhar de seu personagem Anthony, enxergamos o mundo como ele. Abraçados a Anthony, sentimos a demência na própria pele. Desta maneira, temos um trabalho artístico de alto nível, corrosivamente poético.

O filme está concorrendo a seis Oscars, inclusive indicação de melhor filme e de melhor ator para Hopkins. (Leves spoilers a seguir). A trama toda acontece dentro de um apartamento, e como estamos dementes como espectadores, não sabemos se é o lar de Anthony ou de sua filha Anne. Nos diálogos entrecortados, pessoas diferentes surgem e se vão sem maiores explicações, intensificando nosso desconforto enquanto dementes. Vamos ficando vulneráveis cena após cena, lágrima após lágrima. Quando terminamos de ver o longa, temos a certeza que é um retrato fiel e devastador sobre demência e, para quem já vivenciou situações semelhantes na família, impossível não se identificar e se emocionar ainda mais com o personagem.

Como sempre, a atuação esplêndida de Hopkins é que arranca essas lágrimas. Na opinião de muitas pessoas do meio cinematográfico, esta atuação do ator entra para a história do cinema, uma atuação impecável. O grande favorito para Oscar de melhor ator 2021. Fica claro que Hopkins se apoia na direção inovadora e surpreendente de Zeller, cheia de delicadezas e surpresas.

Mais que um filme, Meu Pai é uma experiência sensorial que nos mantém apreensivos e em estado quase de choque, mas que nos arrasta delicadamente à empatia.

FIQUE EM CASA!

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

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