Bo Burnham: Inside, um mergulho na arte que nos afasta da loucura


Neste vai e não vai das vacinas, vai e não vai do lockdown, vai e não vai volta às aulas, é hora de refletir profundamente, mas com muito humor e muitas gargalhadas. É disso que trata este novo projeto dirigido, roteirizado, produzido e estrelado pelo humorista Bo Burnham, exclusivamente no streaming Netflix.

Após enfrentar crises de pânico nos palcos, Burnham se afastou da plateia por 5 anos e, justo quando se cura e resolve voltar aos palcos, surge a pandemia. Confinado nas paredes de sua casa, o artista idealizou e criou este projeto completamente sozinho, da limpeza das lentes à edição das imagens.

No vídeo, nos identificamos várias vezes e em várias situações com a situação do humorista, dos perrengues presos em casa no lockdown aos vexames no Instagram, Facebook e Twitter. Burnham transforma tudo em uma grande metáfora, onde a sala extremamente bagunçada e claustrofóbica onde tudo acontece é nossa mente pulsante e inquieta. Os acontecimentos não têm uma cronologia determinada, nos perdemos no tempo, trancados em nós mesmos. Ansiedade, neuroses, medos, pensamentos suicidas, questões mal resolvidas, e por aí vai.

Burnham nos dá duas opções para o lockdown, a loucura ou a arte. E é isto que ele faz, fugindo da loucura, produz arte, produz este vídeo. Arte política, arte musical, videoarte, arte da pandemia (se é que isso existe), arte que faz rir e nos afasta, mesmo que momentaneamente, da loucura. As imagens e músicas nos fazem mergulhar em catarse e refletir sobre os prós e contras da existência em confinamento.

Inside é um vídeo de gênero comédia com 87 minutos, onde assistimos a um homem, vestido, nu ou de cuecas, movimentar-se em uma sala onde produz o vídeo Inside, controlando câmeras, luzes e projeções imagéticas nas paredes e em seu corpo, cantando e falando consigo mesmo em monólogos nada tediosos, discutindo sobre a vida, as relações, o sexo virtual, as bobagens das redes sociais. Conforme o vídeo se desenvolve, percebemos que passamos a rir menos e ficamos mais confusos, assim como todo o ambiente videográfico, assim como nossas mentes no lockdown.

Como em seus outros projetos, Burnham nos faz rir através de canções. Mas neste projeto o artista se desnuda, tanto fisicamente como metaforicamente, nos mostrando suas angústias da solidão e o inevitável confronto com suas neuroses no processo criativo.

Para artistas e não artistas, mergulhe de cabeça nesta dor e loucura de processo criativo.

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

Foto: Divulgação

Compartilhar:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.