Artistas Londrinenses: Ana Paula Berehulka

Artista visual formada pela UEL e fotógrafa, em sua série mais recente a Ana Paula Berehulka trabalha com o tema das sereias. Figuras fortes e femininas (na verdade pela mitologia greco-romana, elas seriam as “nereidas”: metade humana e metade peixe, mas popularizou-se o termo “sereias”, diz a lenda que elas cantavam para encantar os marinheiros desavisados, e depois os levavam para as profundezas do mar).

No Brasil, com nosso vastíssimo folclore, as imagens das sereias também estão ligadas às águas doces, mitos e crenças indígenas que falam da Iara e das mães das águas, como mamãe Oxum (das águas dos rios) e a grande mãe Iemanjá (do mar).

Lendas, crenças e mitos de mulheres nascidas das águas existem desde que a humanidade se conhece por “gente”. Seres como ninfas das aguas, nereidas, nereides, sereias, deuses do mar, deusas … Um vasto campo de imagens a serem exploradas, nada mais certo  pois a água é um dos elementos mais importantes para a nossa sobrevivência e nossos ancestrais sentiam , assim como nós, a necessidade de saber e entender seu espaço criando historias… E por que não imaginar que assim foi? Afinal, por mais que saibamos, por mais que a ciência estude, ainda existem mais coisas “entre o céu a terra do que nossa vã filosofia conhece” (William, o maravilhoso, Shakespeare).

Fica claro na obra de Ana todas essas referências e toda a força feminina… Assim como o fundo da sua obra, com colagens e recortes, podemos pensar na vida, como um vasto oceano de opções e pedaços da nossa história, em que podemos ( e por que não!?) escolher uma lenda, um mito, uma crença e achar forças espirituais para não apenas sobrevivermos, mas para crescermos espiritualmente, evoluirmos…

Para quem não sabe, o estudo dos mitos nos permite ter mais autoconhecimento, e até resgatar nossas origens, sejam elas indígenas, negras, brancas, amarelas, azuis, vermelhas, pois independente da cor da pele, viemos todos das mesmas águas! (A ciência acredita que nos originamos da grande água no continente africano e a terra era toda uma só, um grande oceano de possibilidades! Pegue o mapa mundi e o recorte, vocês verão que elas são como um grande quebra-cabeças, se encaixam perfeitamente.

Ana nos traz o fascínio pelo desconhecido, pelas mulheres mutantes donas do seu espaço, atuantes e independentes, poderosas e mágicas, mães e alter-ego.

Com toques de dourado e elementos decorativos que nos fazem pensar na realeza de podermos viver nesse mundo tão vasto e colorido, em como somos ricos de histórias, em como o feminino habita, de alguma forma, todas nós, desmistificando que ser feminina é ser “frágil” e dependente, podemos, sim, gostar de flores e ao mesmo tempo dirigimos “tanques de guerra”, suas obras são texturas, colagens, desenhos, brilho e cor.

A série estará em exposição na mini galeria da loja Bijorhca até o dia 30 de setembro , vale a pena conhecer as sereias de Ana!

Bom resto de semana para todos, com ipês floridos e cheiro de flor nas manhãs!

Fotos: Reprodução das obras

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

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