Arte e evolução

No livro do Ferreira Gullar, “Argumentação contra a morte da arte”, ele fala das tendências da Modernidade e o que veio com o que foi pensado, feito e escrito nesse período; uma delas, foi a teoria da evolução de Darwin. Surgiram nesse período também o materialismo e o Espiritismo, entre outras…

Gullar acredita na mesma coisa que particularmente acredito: que a arte nem evolui nem regride, como diz ele, “a arte MUDA”. Se modifica, se transforma. A Arte é como uma escada em espiral, pensando assim é mais fácil entender… Os tempos mudam, a tecnologia evolui, os materiais sempre se renovam, mas, para um artista, o carvão vegetal que ao homens das cavernas já usavam é tão bom quanto o Photoshop; o mármore, muito usado desde os tempos mais remotos, é ainda resistente, bonito e tradicional material para os escultores, assim como a argila!

Cor, luz, configuração, forma, luz e sombra ainda são os termos e temas básicos, e nada, nenhum computador vai substituir o artista… Nem os pinceis, computadores, tintas, lápis, argila, carvão, pedra, ouro, prata…. Tudo, nas mãos de um artista, transforma-se em obra de arte. Nos tempos da grande guerra, os artistas italianos, sem materiais mais nobres, começaram a fazer colagens com restos de papelão, chamando de “ARTE POVERA” ou “arte pobre”.

O mesmo se diz do processo de criação dos artistas, nem sempre a obra mais recente é a melhor. Mesmo com mais maturidade ou conhecimento técnico, uma grande obra de arte depende de um  misto de “encontros”, de fases, de momentos em que o sentimento, a emoção, a técnica, o tema – e a boa e velha inspiração – se unem e no ápice surge “aquela” obra, a que é da humanidade, a que fica, que transcende os tempos , que influencia gerações, como a “Guernica” de Picasso.

Outra coisa: nem sempre a arte deve mostrar o “humano” (aliás, em muitas ocasiões até eu gostaria que o ser humano sumisse um pouco). Obrigada à arte abstrata que tirou das telas a forma humana!

Em relação a tudo isso é importante citar que não temos uma arte “nacional”, não temos UMA cara, não temos UM estilo, temos vários e em construção; somos um país dependente e ainda escravo, mas não dos bons exemplos de outros países, só usamos o que não presta, já que ainda somos uma mentalidade de colônia, deveríamos dar à arte a mesma importância que os europeus dão. Lá a arte é renda, é receita, é dinheiro, é investimento, é profissão.

Dica de hoje! Leiam o livro do Gullar! Linguagem simples e explica muito!

Sei que muitos leitores tem dúvidas, então peço que me mandem questões, me perguntem, seja qual for a dúvida, ajudaria muito até mesmo para saber o que vocês pensam sobre a arte, o que imaginam que seja e como vive um artista.

Bom resto de semana de céu azul e frio!

Fotos: Acervo pessoal

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

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