Arte e a reinvenção

Você é capaz de se “reinventar”? Quantas vezes na vida você já teve que mudar de atitude, de estilo, de cabelo? Como dizia Chanel: “quando uma mulher muda o corte de cabelo, ela está disposta a mudar de vida.

Dentro do mundo das artes é tão comum isso, fazer obras com várias técnicas, releituras, destruir, construir…Talvez o que a arte mais ensine é a coragem!

É estranho como nos tornamos a espécie dominante, isso por causa da “facilidade” de adaptação, mas ao mesmo tempo conseguimos nos adequar até as situações ruins. Chamamos a isso de “Co-dependência”, ou seja, acabamos, à titulo de sobrevivência, aceitando e se acostumando com situações ruins que até colocam nossa vida em risco. É o caso de filhos ou cônjuges de alcoólicos, de mulheres que são espancadas pelos companheiros e assim vai… Nos acomodamos de formas doentias e acreditamos piamente que a vida é só isso.

Não nos abrimos para o mundo, não aceitamos as mudanças com facilidade e não desistimos mesmo quando as situações são extremamente desfavoráveis para nós.

“Meu Deus! O que isso tem a ver com a arte, mulher?” ARTE não é só fazer quadrinhos que combinem com a decoração e com o ambiente, ou que valha milhões em leilões para colecionadores?

Não, não é! O que é muito interessante e sutil é a forma como a arte nos instiga e nos devolve o que damos à ela…Se você estuda, cresce; se você pinta, esculpe, desenha, aprende a observar o mundo, as pessoas, a captar emoções e sentimentos que muita gente não vê, e não é por mágica, mas por TREINO!

Pessoalmente acredito e sinto que criamos, por assim dizer, uma capacidade de não só reinventarmos uma forma no papel, mas de “nos” reinventarmos, desconstruir crenças arraigadas que nos prende à infelicidade e nos fazem repetir fórmulas que não levam a lugar nenhum.

Não temos coragem de trocar um estilo de roupa, ou de sapato, e quem faz isso é repelido pela “sociedade”, haja vista uma senhora de 70 anos que resolva fazer uma tattoo? Qual a primeira coisa que pensamos? E quem resolve, aos 50, trocar de profissão, ou o casal que resolve não ter filhos? Ou qualquer pessoa que trabalhe como empresária, por exemplo, e resolva que é mais feliz virando cantora? E o funcionário público que largue tudo e seja pintor?

E por que essas decisões tão fora da “caixinha” revoltam tanta gente a ponto de criticar quem tem a coragem de virar a mesa quando não está feliz?

 A arte nos treina para as mudanças necessárias! Rasgar papel às vezes e colar de formas diferentes é treinar a capacidade de aceitar que temos o poder de reconstruirmos a nós mesmos. É profunda e é intensa. A arte nos ajuda a resgatarmos nossos sonhos, ou a repensa-los, o que depois de certas fases da vida é extremamente importante!

Ficar agarrados às velhas histórias, mágoas, ilusões ou sonhos desfeitos nos deixam doentes, fazem com que o cérebro morra antes do tempo, somos zumbis repetindo os mesmos gestos e as mesmas falas.

A arte está ao alcance de todos, seja para faze-la, como para admira-la, de uma forma ou de outra ela nos resgata! E lembrem -se, não estou falando de nada que seja fácil, rápido ou confortável, mas de um crescimento e de um processo, que requer ouvidos, alma e corações abertos…

Foto: Acervo pessoal

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

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