Alimentos para o corpo e para a alma

Raquel Santana (*)

Não sei se é o confinamento, ou a carência de não poder tocar as pessoas, mas as demonstrações de carinho e solidariedade que vejo inundar a TV e redes sociais têm-me dado um quentinho no coração para atravessar esses longos dias de isolamento social.

Doações de comida, de conhecimento, de informações, de afeto. Pequenas atitudes que fazem toda a diferença. Vi gente que não tem nada ou muito pouco, mas divide com o outro. E gente que tem muito, mas sabe repartir. Quem pode doa em material, quem não pode, doa conhecimento.

Ao mesmo tempo que a pandemia se espalhava pelo mundo, testemunhamos uma onda de empatia que contaminou boa parte da humanidade. Começou com as serenatas nas janelas e sacadas europeias, quando anônimos e famosos deram show para a vizinhança, amenizando a solidão do isolamento. Música para os ouvidos e para a alma. E para os bolsos, já que muitos artistas fizeram doações milionárias ao combate. As lives na internet e em alguns canais de televisão também renderam uma boa verba.

Das sacadas para as fachadas dos prédios, a arte também se manifestou em forma de projeções. Mensagens políticas, poesias, prevenção contra a Covid-19 e até pedido de casamento já foram projetadas em fachadas de prédios Brasil afora, virando uma febre entre os internautas. Tem até grupo na internet que ensina a fazer a projeção de forma caseira. Pena que minha vizinha de frente é uma árvore.

Se música e poesia alimentam a alma, também vi muita gente ser alimentada por uma corrente de solidariedade. Pelas redes sociais fiquei sabendo de vizinhos que colocaram caixas com alimentos não perecíveis na entrada do prédio, gente que pendurou engradado com comida no muro, geladeira solidária em calçada e filha de amiga que se contaminou levando alimentos e produtos de higiene aos moradores de rua. As igrejas também deram sua contribuição, distribuindo comida para quem não tem.

Teve quem dividiu conhecimento. Com as dificuldades diante da ensino à distância, muitos profissionais do ensino se disponibilizaram a tirar dúvidas online. Mesmo sem se conhecerem pessoalmente.

Médicos e terapeutas deram consultas virtuais. Condôminos se uniram para atender idosos. Empresas fizeram doações de máscaras, respiradouros, dinheiro. No mundo materialista, individualista e consumista em que vivemos, foi preciso uma pandemia despertar o melhor que há em todos nós, como sociedade. E assistimos a tudo, de coração cheio.

(*) Jornalista radicada em Curitiba mas apaixonada por Londrina

Foto: Internet

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Um comentário em “Alimentos para o corpo e para a alma

  • 24 de maio de 2020 em 11:23
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    parabéns pela matéria, querida Raquel. também sou apaixonada por Londrina! concordo contigo, precisou aparecer um parasita filho da puta para fazer a população desacelerar e acordar para a vida! Embora acredito que muitos ainda continuam preocupados apenas com o próprio umbigo! Estamos pagamos um preço alto para evoluirmos, porém necessário.

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