Ad Astra – Rumo às Estrelas com Brad Pitt

Esta semana chegou nas telonas o esperado Ad Astra – Rumo às Estrelas (ficção científica/mistério/suspense/fantasia) estrelado por Brad Pitt, Tommy Lee Jones e dirigido por James Gray (Os Donos da Noite).

Foi um grande desafio para Gray a direção deste filme. Para quem conhece o diretor, sabe que sua abordagem cinematográfica gira em torno de íntimas questões familiares, e articular de forma abrangente essas questões com o vazio do espaço foi um trabalho hercúleo.

Com uma narrativa triste, melancólica e minimalista, este suspense espacial é ambientado em um futuro não distante e mostra cenas tensas e de tirar o fôlego. A trama mostra o engenheiro espacial Roy McBride (Brad Pitt), que procura seu pai Clifford McBride (Tommy Lee Jones), desaparecido enquanto participava de uma missão espacial rumo a Netuno. Tanto Pitt como Lee Jones aparecem em close-ups que mostram sem pudores suas faces marcadas pelo tempo, e esta é a única marcação de tempo que podemos ver em todos os cenários monocromáticos e incrivelmente assépticos.

O filme está sendo comparado a Interestelar (Christopher Nolan – 2014), mas para aqueles que gostam de ver na tela certa exatidão na astronomia e na veracidade científica, é bom irem preparados para assistir muita liberdade criativa e grandes equívocos científicos. Também não podemos esperar a grandiloquência de 2001 – Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick – 1968), com todo seu simbolismo e misticismo, Ad Astra retira sua beleza do radicalmente simples.

Temos que destacar também que a película apresenta uma fotografia exuberante, conseguindo através do design de produção uma identidade visual própria para cada plano mostrado. Não tem como não se lembrar de Gravidade (Alfonso Cuarón – 2013) e de suas cenas inesquecíveis, mas aqui, a trama é intimista em quase toda a sua totalidade.

No desenrolar do roteiro podemos ver no rosto sulcado de Pitt, de maneira muito sutil, uma transformação lenta provocada pela tensão que se acumula e se sedimenta no personagem. De cunho existencialista, mais do que uma viagem ao espaço, Ad Astra – Rumo às Estrelas é uma jornada interiorizada muito bem interpretada pelo seu protagonista.

Foto: Divulgação

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas.

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