Acesf descarta construção de novo cemitério “pra já”

Terreno já tem, mas não deve ser usado. Devolução onerosa deu fôlego para esperar

Telma Elorza

O LONDRINENSE

Apesar de ter um terreno de 48 mil metros quadrados à disposição do Município na Zona Norte, comprado e pago em 2016, a Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina (Acesf) não pretende construir um novo cemitério na área. Segundo o superintendente da autarquia, Leonilso Jaqueta, aquele terreno é muito valorizado e, portanto, merece uma destinação melhor. “Talvez destinado a uma indústria”, aponta.

Segundo Jaqueta, se o município tiver que instalar um novo cemitério, o ideal é que seja na Zona Sul, única região da cidade que ainda não tem nenhum local de sepultamento. “Na Zona Norte, já temos o Jardim da Saudade e um crematório. Instalar outro lá não seria adequado”, afirmou. De acordo com ele, a situação do esgotamento dos cemitérios municipais – uma preocupação de anos – foi contornada, por enquanto, com ações que otimizaram as vagas disponíveis. “Não são soluções permanentes, é apenas temporário porque a cidade cresce, mas até agora estamos conseguindo lidar com as necessidades”, diz.

Entre as ações, está a construção de 1.570 gavetas no Cemitério Jardim da Saudade, o maior entre os municipais e mais problemático “que sempre nos aperta, porque, por ser mais barato, a procura é muito maior”, explica. Segundo ele, nesta quinta-feira (15), começaram as obras, depois de concluída licitação. “Vai ser um cemitério vertical e atender a demanda”, diz.

Outra ação foi a instituição da devolução onerosa. “Nesse caso, o cidadão que tem um jazigo e, por alguma razão, como a mudança da família ou apenas não quer mais ter custos de manutenção, entrega à Acesf e recebe 60% do valor do terreno”, explica. Com isso, segundo ele, muitas famílias procuraram a autarquia e devolveram. “Foram novas vagas que abrimos. Estamos otimizando o que nós temos”, afirma.

Além disso, Jaqueta diz que há também 930 jazigos disponíveis para pessoas carentes no Cemitério das Allamandas, particular, na Zona Oeste. “Foi uma contrapartida de 5% por sua instalação na cidade”, explica. Neste, o prazo máximo é de três anos. Após esse período, a família tem que adquirir outro jazigo e liberar a vaga. “Estamos também fazendo um estudo para construção de mais 400 gavetas no Cemitério João XXIII, que tem um espaço vazio lá que pode ser aproveitado”, diz.

O superintendente explica que hoje há vagas em todos os cemitérios municipais e distritais capazes de suportar a demanda, estimada em 450 por mês. Mas não quis informar o número total de vagas disponíveis “por questões estratégicas” para evitar que “se forme filas de pessoas querendo adquirir um terreno”, diz. “Mas posso dizer temos vagas em todos os cemitérios, com exceção do Saudade, que estamos construindo”, garante.

Foto: Emerson Dias/N.Com

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