Acabou? Fingir orgasmo não é uma exclusividade das mulheres!

Por Rogério Adriano Bosso, Psicólogo; e Alessandra Diehl, Psiquiatra

Desde a era das cavernas, tem sido atribuído ao homem o papel de “macho alfa”, ou seja, aquele que domina e/ou controla todas as situações e os espaços que ocupa. Esse mito pode parecer interessante para muitos, no entanto, a masculinidade tóxica atrelada a este mito pode também acarretar diversos malefícios para muitos homens e para quem convivem com eles. Um destes prejuízos é ter que fingir orgasmo porque não lhe é permitido por vezes não chegar lá e não ser rotulado de ” brocha” ou “fraco” ou outros vários comentários depreciativos.

Cerca de 60% das mulheres relatam que já fingiram orgasmo na vida. Não se assustem, mas a taxa de homens que fingem orgasmo pode ultrapassar os 20% e na maioria das vezes, elas nem percebem. A Bijoux Indiscrets, uma famosa marca de brinquedos eróticos, realizou uma pesquisa com 1.400 pessoas e concluiu que 21,2% dos homens, pelo menos uma vez na vida, já fingiram orgasmo. Mas o que chama atenção é o fato de que 8% desses homens, confessam repetir essa ação com frequência. Em contrapartida, as mulheres dão um baile na arte de fingir orgasmo: 52,1% disseram já ter fingido orgasmo e 10,4% disseram fingir com frequência.

Na relação sexual não é incomum encontrar homens que tiram o preservativo rapidamente e os jogam no lixo. Essa pode ser uma tática, mas que também pode ser questionada. E quando vem o questionamento? Dizer que havia se masturbado ao longo do dia pensando no encontro (por esse motivo a baixa na quantidade de esperma) pode ser uma boa explicação.

Embora exista uma forte relação entre o prazer, o orgasmo e a ejaculação, não necessariamente as relações precisam seguir esse script, uma vez que são coisas diferentes. Essa forte relação também pode ser um dos motivos que levam os homens a fingir o orgasmo. Ao perceber que não estão excitados como gostariam, trazem para a cama, além da parceria, a insegurança. Dessa forma, para não ficar “queimados”, fingem o orgasmo.

Pode haver gravidade em fingir orgasmo? Dizer que está satisfeito, quando na realidade não está parece ser uma dupla violência, ao outro e a si próprio. O orgasmo na verdade é um prazer e, portanto, um direito. A falta de prazer em uma relação sexual pode levar a condição de baixa no desejo de repeti-la.

Fingir orgasmo pode acarretar consequências físicas e mentais para o homem. A chamada disfunção sexual se caracteriza pela incapacidade de praticar o ato sexual com a parceria sexual com satisfação. Nos homens, as disfunções sexuais podem acontecer durante qualquer fase do ciclo de resposta sexual: desejo, excitação, orgasmo/ejaculação e resolução. Uma das disfunções que podem levar os homens a fingirem orgasmo é a ejaculação retardada. Nesses casos, os homens podem fingir o orgasmo para encobertar esse problema.

Outro fator que pode levar os homens a fingirem orgasmo é a ejaculação precoce e a ansiedade. A ansiedade é prevalente e varia de 2,5% a 37% em homens portadores de disfunção erétil. Estima-se que 25% dos homens com ejaculação precoce são portadores de fobia social. A ejaculação retardada também tem relação com a fobia social. Estudos prévios mostram que 33% de homens com fobia social apresentam ejaculação retardada. Os efeitos adversos da vacuoterapia peniana (aplicação de um aparelho de vácuo que promove o enchimento peniano por sucção) também podem causar a ejaculação retardada, embora esse método seja aceitável em indivíduos mais velhos, com eficácia de até 90%, com taxas de satisfação pelos usuários de 27 a 94%.

Fingir é uma habilidade que foi criada e já que o homem é capaz de desenvolver aptidões, por que não colocar em prática a vocação da honestidade na relação e permitir que a parceria o ajude a chegar ao clímax? Permita-se! Ninguém vai ser mais ou menos homem por isso! Fica a dica.

Foto: Pixabay

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