A arte de viver de arte ou o dinheiro nosso de cada dia

Eu não poderia escrever uma coluna da artes sem falar em como sobreviver de arte. E eu seria irresponsável se não colocasse aqui como as coisas nesse meio funcionam…

Hoje quero falar do relacionamento do dinheiro, arte e pessoas.

Demorei 30 anos para aprender, então acredito que as dicas aqui serão muito úteis, principalmente para quem está começando.

Todo artista principiante vem ao mundo com a energia para criar e o entusiasmo com tudo o que a arte pode proporcionar.Sonhamos em viver da nossa arte e fazer exposições e palestras pelo mundo, mostrar em grandes museus e galerias, ser indicado a prêmios e participar de bienais. Tudo isso está CEEERRRTO! Todo mundo quer chegar no topo em suas profissões e não somos “sonhadores” em relação a isso, aliás! Em países de primeiro mundo isso é regra: quanto mais você estuda e trabalha, mais seu trabalho é valorizado, com esforço sim, como em qualquer área.

Mas vamos falar de Brasil, mais especificamente de Londrina… O que acontece aqui já expus em outras colunas, o que você que está começando precisa saber?

A primeira coisa é que vocês, pessoas que querem ser artistas, estão certos(as): ser artista é uma profissão como qualquer outra! E vocês merecem respeito pelas suas escolhas.

Estudem, mesmo que a faculdade esteja longe do seu alcance. O grande Paulo Menten dizia que “faculdades não formam artistas”, a vida molda o artista que vocês querem ser!

Mas a faculdade é também um meio de subsistência e uma chance de passar suas ideias para pessoas que realmente estiverem interessadas. Sejam autodidatas ou universitários, apenas estudem! Sobre história, geografia, química, história das artes, matérias… o que lhes parecer mais interessante, tenham o conhecimento!

Não doem ou deem suas obras! Não interessa se vocês são iniciantes! Tintas, pincéis… custam caro e desde o começo as pessoas precisam saber que isso não é hobby, é trabalho!

E por falar em “trabalho”, vivemos num país em que metade quer ter um trabalho no governo pela aposentadoria e a outra metade quer ser rica! Que cada um faça o que quiser, mas lembrem: só porque vocês não têm carteira assinada não são vagabundos! Aliás, conheço muita gente podre que bate no peito e fala que trabalha, só porque tem uma “estabilidade” no emprego e batem ponto,  mas que vieram no mundo a passeio, não deixam “marcas”, não tem histórias e se acham os tais. Então nunca deixem “que lhes digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem “! (Renato Russo). Muitas também são pessoas frustradas porque preferem a estabilidade do que ter coragem de lutar pelo que querem!

Que fique claro que conheço também muita gente que é ou já foi funcionário públicos, e deixaram um legado fantástico de trabalho e mudanças no mundo. Existem pessoas e PESSOAS!

Comecem a pensar em aposentadoria, mesmo na nossa profissão que não tem idade para acabar. Vocês podem procurar bancos de investimentos, aonde vocês podem investir com R$30,00 para começar; o INSS que vocês podem pagar à parte, aposentadorias privadas, poupança que não cobram, comecem o seu “pé de meia”!

Sei como muitos artistas pensam, que quando ganharem dinheiro vão ajudar sicrano ou beltrano! Acreditem, a melhor forma de ajudar quem deu apoio são vocês ganhando seu próprio dinheiro, pois “o inferno são os outros (Sartre). E quando digo “outros”, quero dizer que esse inferno começa dentro de casa! Vocês serão criticados por escolherem serem artistas, mas no fundo não é nada disso. O que importa para muita gente não são as realizações, mas apenas o dinheiro que vocês tiverem. Quando o dinheiro aparece na história não existe o ‘REBELDE, ESQUISITO, DROGADO OU VAGABUNDO’. Dinheiro e status calam a boca de muita gente.

Ajudem a si mesmo! Não é egoísmo! “Amem ao próximo como a ti MESMO!”(Jesus)

Não se preocupem também em ter outras ocupações para manter sua arte, tem muito artista professor, oficineiro, marceneiro, pintor de parede, etc.

Eu mesma, aos 50 anos, descobri um ramo da arte que é o mundo da semi joia, da joalheria, e isso não me torna menos artista, me torna melhor, porque quantas pessoas nunca têm coragem de explorar novos caminhos dentro das suas profissões?

Não permitam nunca, seja pai, mãe, amigos, sobrinhos, avós ou o “diabo a quatro” que digam que o que vocês fazem não tem valor! Tem muito valor, somos criações únicas do divino e, no final das contas, nossa vida é um relacionamento apenas nós e o deus do seu coração.

Não vivam para provar para os outros que vocês são bons, ou esforçados ou que entendam o que vocês fazem. Perdemos muito tempo para encontrar uma segurança emocional que não depende da opinião alheia, apenas da própria! Essa é a mais profunda forma de autoconhecimento e quando vocês tiverem chegado nesse patamar, nada nem ninguém será capaz de derruba-los!

E, se por acaso, a opinião de quem nem sequer pega um livro de arte já causou estrago na sua vida, procure ajuda! Grupos de apoio como o Amor Exigente, ou psicólogos especialistas em processo da criação, eles existem e estão aqui para nos ajudar a nos conectarmos com nós mesmos, e com nossa arte!

Que a centelha divina brilhem em cada um de vocês e que por pior que seja o momento que cada um esteja passando, saibam amigos artistas que as pessoas podem nos decepcionar mas a arte nunca decepciona!

Fotos e obras: Angela Diana

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

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