A arte como forma de autoconhecimento

A arte está intrinsecamente ligada ao autoconhecimento, formas de expressão e autoestima (e ainda tem quem diga que a arte não serve pra muita coisa!). Com os anos em que dei aula, aprendi duas coisas básicas: 1) a forma como você organiza sua gaveta é a mesma que organiza as suas ideias; 2) tem pessoas que não sabem muito sobre si mesmas e sequer pararam pra pensar sobre sua cor predileta…Surpreendentemente, muita gente não sabe a cor, o sabor, música, absolutamente nada que fala sobre si mesma.

Quanto menos você sabe sobre você, mais propenso é de ser vítima de abusadores emocionais. Por isso, a arte pode ser uma ferramenta importante para desenvolvimento do autoconhecimento e da autocrítica. Quando as pessoas passam por fases difíceis, daquelas que realmente parecem túneis sem nem uma lâmpada acesa no fundo, uma das formas que a arte ensina é voltar-se para dentro de si mesmo, muito dentro! Lembrar de coisas importantes e que fazem com que a pessoa se reconecte com as raízes mais básicas e profundas… E a cor predileta é uma das primeiras e a mais fácil.

Épocas em que a gente precisa “catar os caquinhos”, renovar a vida, aceitar mudanças, procurar o desapego. Se as pessoas tirassem seus preconceitos sobre a arte e os artistas, teriam muitas ferramentas para passarem por determinadas fases de forma, digamos, mais fáceis!

Olivia desenhando (Foto Walter Ney)

Todos podem desenhar! Vocês sabiam que existe até um estudo sobre isso? Todas as crianças, até determinada idade, desenham casa, sol, árvore…Todas! Do mundo inteiro! Independente de raça, cor etnias. (“BINGO”! mais uma vez ao nosso querido Jung e a teoria do inconsciente coletivo).

O desenho ajuda a organizar as ideias. Já a pintura é mais emocional, lida com cores, com o aspecto sentimental, sensorial. Já a escultura, principalmente em ciporex, gesso e mármore são excelentes para momentos de ira ou frustração. (Aqueles, sabem?! Que você gostaria muito de bater em alguém ?!) Então, a escultura é um esforço físico e uma higiene mental, tudo ao mesmo tempo e “agora, pra já”. Com a argila é um processo um pouco diferente, pois nem todo mundo gosta de colocar a mão na terra, mas ela descarrega naturalmente as energias, a argila é matéria viva!

Outro processo interessante é cortar com as mãos, como quando se corta papel ou outros materiais para fazer uma colagem. Aqui, cabe perfeitamente a analogia de cortar ou tirar coisas de dentro de si, tirar fora coisas da vida, renovar ciclos, colocar sentimentos e emoções pra fora.

Além de toda essa higiene emocional e liberação que a arte pode proporcionar, o que falar do acréscimo de autoestima? Você olhar para algo que criou com as próprias mãos e que te reflete por inteiro ou em partes? Essa coisa de se sentir criador, cheio de energia de criação é muito poderoso e pode ter um efeito incrível sobre a autoestima e autoimagem. Recomendo fortemente. Já pensou em algo para fazer com as mãos hoje? Que tal fazer arte e se conhecer um pouco mais?

Fotos: Acervo pessoal

Angela Diana

Sou londrinense e me dedico à arte desde 1986 quando pisei pela primeira vez no atelier de Leticia Marquez. Fui co-fundadora da Oficina de Arte, em parceria com Mira Benvenuto e atuo nas áreas de pintura, escultura, desenho e orientação de artes para adolescentes e adultos.

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