A 3ª temporada de Stranger Things está no ar

Desde sua estreia na Netflix em 2016, a série Stranger Things vem crescendo e mostra em seus oito episódios sua melhor temporada, desenvolvendo uma trama muito mais contida e bem resolvida. O roteiro de Matt Duffer e Ross Duffer estruturou vários núcleos de personagens que passaram a funcionar naturalmente, amarrando com destreza as motivações pessoais dentro da trama, não existindo a necessidade de reapresentar o que já foi abordado nas temporadas anteriores. O desenvolvimento de cada personagem já está bem encaminhado, de maneira natural, como se acontecesse de forma espontânea.

Stranger Things conquistou o público cultuando os anos 80, trazendo referências inteligentes sobre o pop. Nesta terceira temporada essas referências tomam novo fôlego, mostrando uma estética visual à la David Cronenberg, intensificando e, ao mesmo tempo, amenizando o lado sombrio da trama. A série parece estar cada vez mais à vontade quando explora esse universo de referências dos anos 80: a novidade do shopping center, as roupas coloridas, as músicas de Madonna e REO Speedwagon, e clássicos do cinema como “De Volta para o Futuro”. A fotografia e o design de Produção também dialogam diretamente com essas características, mostrando um crescimento tanto técnico quanto criativo.

No final da segunda temporada, o verão americano havia chegado, juntamente com novos e antigos sentimentos que continuaram a surgir. Podemos destacar os casais Eleven (Millie Bobby Brown) e Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) voltando de um acampamento de férias onde descobre sua incompatibilidade com Max (Sadie Sink) e Hopper (David Harbour) e Joyce (Winona Ryder) e suas dificuldades de se entenderem mutuamente. O espectador da série já está ciente de como os personagens estão se sentindo e em qual momento da vida estão. Isto faz com que a narrativa ganhe força e espontaneidade ao inserir, sem maiores explicações, o retorno do Devorador de Mentes.

Desta maneira, com as ambientações bem definidas e conhecidas, a trama pode ser exatamente aquilo que é desde o início. De um lado, agradável, espontânea e leve, e de outro lado, perturbadora e ousada, apresentando-se mais nostálgica e expandindo seus horizontes dentro de uma trama alinhada que mistura com intensidade drama, fantasia e tensão.

Foto: Divulgação

Marcelo Minka

Graduado em licenciatura em Artes Visuais, especialista em Mídias Interativas e mestre em Comunicação com concentração em Comunicação Visual. Atua como docente em disciplinas de Artes Visuais, Semiótica Visual, Antropologia Visual e Estética Visual. Cinéfilo nas horas vagas

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