Você faz parte da geração do foda-se?

Você faz parte da geração do foda-se? Aliás, que geração é essa? Hoje em dia vivemos numa sociedade em que as pessoas, cada vez mais individualistas, não se preocupam mais umas com as outras. O que não lhes importa, não lhes interessa, não lhes interfere, não lhes diz respeito, então… foda-se! É um jeito egoísta e totalmente contrário ao altruísmo (capacidade de se colocar no lugar do outro) que se vivia um pouco mais, antigamente. Essa geração de hoje, que abarca, inclusive, pessoas de outras gerações, está contaminada pelo superficialismo e pela banalidade das relações interpessoais.

Não é piegas lembrar-nos aqui da já quase desgastada teoria da modernidade líquida do filósofo polonês Zygmunt Bauman, que diz que vivemos em tempos de relações superficiais e pouco duradouras. Relações interpessoais mediadas pela tecnologia capazes de desvincular amizades no simples ato de desfazer amizades e apagar ou bloquear contatos. Essa geração aperta o botão do foda-se com a mesma facilidade com que aperta o botão da descarga no banheiro. E as consequências, em muitos casos, são parecidas: muita merda!

Isso porque, do mesmo jeito que não é possível trazer de volta o que a descarga levou, também não é fácil recuperar o que apertar o botão do foda-se significa. Aliás, é de significado que estamos falando. Significa muito não dizer, não fazer, não lembrar, etc. Significa muito não estar nem aí. Um significado vazio e frágil. Mas, sobretudo, repleto de significado. Talvez por isso a sociedade esteja tão carente de ações que valorizem o outro, que sejam altruístas, que, de fato, voltem o olhar para o ser humano. E é por isso que coisas do tipo viralizam na internet.

O que, infelizmente, não significa muita coisa. Já que nossa sociedade tecnológica vive de virais e de cancelamentos. Palavras e conceitos tão na moda que nos esquecemos do que, na realidade, nunca deveria sair da moda: o compromisso com o outro. O fortalecimento do vínculo, da amizade, do amor. Traduzido em ações práticas. Não apenas em discursos virtuais que nada contribuem com o mundo real. Falta atitude. Tem gente falando demais e fazendo de menos. Está na hora da gente viralizar o que realmente importa!

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Aleksandr Burzinskij no Pexels

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