TOC: quem nunca teve um?

A pessoa abre a geladeira e, antes de fecha-la depois de pegar o que queria, resolve organizar os itens de acordo com o seu padrão de organização. Ou então, quando vai cozinhar, não gosta do palpite dos outros, não cozinha com o lixinho muito perto e vai lavando louças enquanto prepara os alimentos porque não consegue ver a pia cheia. E aqueles que necessariamente arrumam as roupas nos armários conforme uma paleta de cores? Há ainda os que precisam deixar os cabides todos virados para dentro. E por aí vai, uma infinidade de manias que, em determinado grau, a ciência chama de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), um distúrbio psiquiátrico mais comum do que imaginamos.

Dados apontam que cerca de 2% da população mundial sofre de TOC, considerado também um tipo de ansiedade com obsessões e compulsões durante a rotina das pessoas. Algumas das principais são relacionadas a limpeza e higiene, simetria e alinhamento de espaços físicos, imagem corporal, acumulação de objetos ou até relacionadas a comportamentos sexuais. Já viu situações em que as pessoas precisam lavar as mãos o tempo todo? Ou então checar mais de uma vez se as portas estão trancadas? Alguns rituais como pisar em determinados pisos nas calçadas ou evitar pisar em rachaduras, por exemplo, também configuram certas compulsões.

Obviamente existem graus de TOC. Às vezes mais, outras menos. Alguns mais graves, outros mais leves. Tudo depende do modo como as pessoas que têm essas manias são capazes de contorna-las e lidar com elas. Ter consciência do problema já é um bom começo, pois admitir ter indícios de compulsões é o primeiro passo para poder melhorar as atitudes cotidianas. Claro que em situações mais extremas é preciso procurar a ajuda de um profissional para controlar a ansiedade e, consequentemente, o transtorno.

Isso porque os transtornos podem ser subclínico (quando os rituais se repetem com frequência, mas não atrapalham a vida da pessoa) ou TOC propriamente dito (quando as obsessões persistem até que a compulsão se realiza e a pessoa sente um alívio). Existem até medicamentos que podem ajudar a minimizar os efeitos do transtorno, mas em geral boas terapias já resolvem o problema. Mas, cuidado! Não é todo ritual repetitivo que se configura como TOC. Por isso, um profissional especializado também pode ajudar a identificar se certos comportamentos são obsessivos ou compulsivos. Afinal, quem nunca teve alguma atitude que pode ser caracteriza como TOC?

Camila Luporini

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É psicóloga formada pela Unifil, com pós-graduação em Residência clínica e em Saúde e psicoterapia psicanalítica, ambas pela Unifil. Hoje atua em clínica geral e como profissional contratada da Unimed Londrina.

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