Terceira idade exige atenção multidisciplinar


Por Mariane B. F. Morais – psicóloga e professora do curso de Ciências do Envelhecimento Humano da PUC Maringá  

Provavelmente, você já ouviu comentários como “o Brasil está envelhecendo” ou “estamos nos tornando um país idoso”. Mas, você sabe o que isso significa e quais são suas implicações?

As mudanças no padrão demográfico brasileiro começaram na década de 1940 e foram acentuadas nos anos 1960. Houve redução na taxa de crescimento populacional e alteração na estrutura etária, com crescimento lento do número de crianças e adolescentes versus o aumento da população em idade ativa e idosa.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) existem aproximadamente 30 milhões de idosos no país, que trazem novas demandas, como estruturar e oferecer serviços adequados às reais necessidades dessa significativa parcela da população. O crescimento da população idosa desafia o país a investir em formação profissional e em novos padrões de atendimento na saúde e gestão pública.

No Brasil, as ações e as práticas de saúde foram pensadas em outro momento, quando o país apresentava perfil jovem, por isso agora estão defasadas. Contudo, envelhecer sem qualquer doença crônica é exceção à regra, então o foco das políticas contemporâneas deve ser a promoção do envelhecimento saudável, com a manutenção e melhoria da capacidade funcional, a prevenção e estabilização das doenças, a recuperação da saúde e a reabilitação.

Na velhice as interferências das predisposições, da história de vida e do meio adquirem proporções ainda maiores. Envelhece bem quem vive bem. Ainda assim, os comportamentos podem ser modificados no curso da vida. Isso depende, dentre outros fatores, da existência e da disponibilidade de serviços apropriados destinados à população idosa, bem como do acesso aos mesmos.

Sendo assim, a demanda do mercado de trabalho por profissionais capacitados para atuarem com o público idoso em suas especificidades, de maneira eficiente e humanizada, é crescente na saúde e na gestão pública. A qualificação na área da gerontologia abrange as dimensões da saúde, questões psicossociais e demais aspectos do envelhecimento.

O especialista em Ciências do Envelhecimento Humano é um profissional em alta porque está apto a atuar com o público idoso de maneira interdisciplinar, contemplando a complexidade e os múltiplos fatores envolvidos no processo de envelhecimento humano, para promover melhor atendimento à saúde, gestão de recursos e políticas públicas mais adequadas ao atual e futuro padrão demográfico nacional.


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