Teletrabalho: uma realidade sociológica do mundo pós-pandemia

O conceito que o sociólogo italiano Domenico de Masi já defende há algumas décadas, virou realidade e rotina para milhões de trabalhadores no mundo inteiro: o home office, ou, como é o seu conceito, o teletrabalho. A pandemia do coronavírus obrigou as empresas a manter seus funcionários em casa por uma questão de prevenção de saúde. Dessa forma, colocou em prática o que, antes, eram apenas poucas e tímidas iniciativas.

Antes de entender o que o sociólogo italiano pensa sobre o teletrabalho, é preciso compreender seu conceito de ócio criativo, que significa o descanso, a folga ou o repouso como algo bom para a produtividade das empresas. A ideia é, aparentemente, contraditória: quanto menos se trabalha, mais o trabalhador rende e produz, pois, afinal, o ócio estimula a criatividade.

Dessa forma, é compreensível que, por conta da pandemia, as pessoas estejam mais em casa, mais descansadas e, portanto, mais produtivas. Apesar de terem obstáculos e imprevistos como os filhos em casa (em situação de normalidade, as crianças estariam na escola), ao que parece, a perspectiva do home office agradou, ao menos as empresas, de modo geral. Uma pesquisa divulgada pela revista Exame mostra que 74% dos empregadores pretendem manter o trabalho remoto depois da pandemia.

Assim, a tendência poderá se tornar mais comum do que se imagina. Domenico de Masi defende o teletrabalho – realidade fora da empresa e dos escritórios, normalmente em casa (hoje temos ainda espaços colaborativos, como coworking) – com o uso de tecnologias da informação (chamadas de vídeo, internet, entre outras) a fim de contribuir para o ócio criativo: economiza tempo de deslocamento, evita estresse no trânsito e faz as pessoas perderem menos dinheiro com o transporte e outras situações.

Até então, segundo o sociólogo, o que impedia as empresas a adotarem esse tipo de trabalho era uma visão antiquada acerca da realidade. Obstáculo que a pandemia derrubou. Entretanto, se, de fato, o teletrabalho se tornar recorrente, será preciso mudar comportamentos e hábitos. As empresas, por exemplo, deverão oferecer total condição para que seus funcionários atuem de suas casas, fornecendo equipamentos e sistemas adequados, além de que os colaboradores deverão manter a disciplina e um espaço específico dentro de casa para desenvolver o trabalho. Nesse aspecto, a família inteira terá de compreender o home office, o que não será tão difícil.

O mundo mudou. A pandemia do coronavírus apenas deu um empurrãozinho para que essas mudanças fossem colocadas em prática com mais rapidez.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Pixabay

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