“Só sei que nada sei”… político!

Hoje vamos parafrasear, no sentido literal, para, simbolicamente, fazer uma analogia política da famosa frase que resume o pensamento de Sócrates, filosófico grego considerado o mais importante da filosofia ocidental: “Só sei que nada sei”. Ao nos depararmos com a realidade política brasileira, cujos representantes municipais foram eleitos há pouco mais de uma semana, percebo que, de fato, não sei nada. Não entendo, não compreendo, não concordo nem aceito com muitos dos eleitos.

Não porque pensam diferente ou porque não foram os meus escolhidos. Mas, sobretudo, porque representam uma antítese do ideário social. E me questiono: não é possível que, em pleno século XXI pessoas assim sejam eleitas. Bom, vamos definir o que são pessoas assim: personagens escrachados, gente intolerante, pessoas com resquícios ditatoriais e corruptos e por aí vai. Ao que se vê, é um retrocesso muito grande e revela um individualismo nocivo. Afinal, as pessoas estão votando por interesses particulares e pessoais, não pelo bem público.

Sabe por que? Porque, infelizmente, ainda há pessoas que trocam o voto por tão pouco: um botijão de gás, um tanque de gasolina (fatos reais) ou os já manjados itens como dentadura, cesta básica, cadeira de rodas, óculos, entre outros, tais quais um emprego. Isso realmente acontece. Teoricamente, com gente que deveria ser esclarecida. Então, a frase “só sei que nada sei” mostra que não apenas não sabemos nada, como sabemos muito e nos embasbacamos, admiramos ou assustamos com tudo isso.

O pior é que as mesmas pessoas que votam errado são aquelas que reclamam da corrupção (e ainda cometem pequenos delitos cotidianos) ou que reclamam do esquecimento dos políticos, da falta de estrutura nos bairros ou da má qualidade dos serviços públicos. Pois bem, “só sei que nada sei…” Ah, se as pessoas também soubessem, fariam tudo muito diferente. Há cidade que atrasaram a vida do povo em pelo menos quatro anos. E isso eu realmente não sei onde vai dar.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Lukas no Pexels

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Um comentário em ““Só sei que nada sei”… político!

  • 23 de novembro de 2020 em 08:42
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    Pois é, concordo plenamente com esse texto. Estamos longe de votar por consciência, pensando no bem comum, porque nossa sociedade é individualista, consumista, pouco empática. Pouco ou nada de pensamento comunitário, coletivo, embora viva em sociedade. Compreensão zero ou desinteressado ou conveniente sobre política. A polarização é maniqueísta, à direita e à esquerda. O voto e o eleitor, a eleitora, por conseguinte, tem dono. Sim tem dono. O político dirá “Meus eleitores”, quando o correto é dizer “Os eleitores que votaram em mim”. O eleitor, a eleitora tem dono, afirmativamente, não possui autonomia. A culpa é dos partidos políticos, que transforma o eleitor, a eleitora em voto fisiológico. O voto é fisiológico.

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