Sexo e filosofia: quais são os conceitos relacionados ao tema?

Pode ou não pode? Para que serve? Em que momento deve ser feito? O sexo, ao longo da história, ganhou diversos rótulos, veio carregado de valores e foi construído, socialmente, de diferentes maneiras. Preconceito, tabu, prazer, pecado, liberdade e muitos outros significados polêmicos e contraditórios fazem parte do conceito. Ou melhor, do ato. Tal qual no limiar da humanidade, também na filosofia a sexualidade tem inúmeras visões filosóficas. Quais são elas?

Um dos representantes dos cínicos, grupo de filósofos da Grécia Antiga para quem a vida é viver as necessidades naturais (comer, dormir, beber, fazer as necessidades), entre elas a de transar, rejeita as regras sociais e alça o sexo ao patamar natural. Diferentemente de outro clássico grego, Platão: para ele, o homem deve buscar apenas as coisas da alma, deixando de lado os prazeres da carne, aos quais se inclui o sexo, cujo significado é o da procriação. O homem ético e sábio, de acordo com ele, é aquele que valoriza o mundo inteligível, onde está a alma. Esse conceito foi amplamente difundido aliado às teorias cristãs, de modo especial na Idade Média.

Santo Agostinho, por exemplo, filósofo e teórico do cristianismo, reforçou o conceito de que o sexto faz parte do pecado original já que o corpo é fonte de tentações, animalidade e pecado, por isso, deve ser purificado. Ao contrário, é a alma que se aproxima do divino. Teoria muito semelhante à de Platão, apenas com uma roupagem cristã. Entretanto, esse conceito de que o sexo tem um propósito divino e serve apenas à reprodução já ficou para trás, nos tempos medievais. A sociedade contemporânea – não em todos os cantos do mundo, infelizmente – está cada vez mais próxima do pensamento de Simone de Beauvoir, ícone feminista e existencialista que defende a liberdade de cada ser humano, inclusive no quesito sexual.

É nesse sentido que a sexualidade humana ganhou novos rumos, em especial, o de que é uma construção humana. O ato em si pode até ser natural, mas, as formas como ocorre são definidas a partir da liberdade do ser humano. E tudo isso está envolto também no prazer das pessoas. Para encerrar essa coluna, vou citar aqui uma fala da médica psiquiatra Carmita Abdo que, além de ser uma referência no assunto e sumidade no país, é também a mãe da minha tia Helena, de São Paulo: de acordo com ela, o sexo representa um quarto da qualidade de vida, ao lado da família, do trabalho e do lazer.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: W R no Pexels

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