Se a forma de aprender mudou, a de ensinar também precisa mudar

As crianças de hoje em dia já nascem sabendo tudo. Ou então, sabe Deus como aprenderam desde pequenos a mexer no celular. Frases como essa permeiam nossas casas, nossas famílias, nossas relações com os que nasceram e vieram ao mundo depois de 2010. Esta é a geração alpha, a mais hiperconectada do mundo. Quem nasceu a partir deste ano recebeu estímulos dos mais diversos, desde sempre e o tempo todo, foi estimulado(a) à interação e à comunicação e tende a ser mais independente, mais questionador(a), livre e adaptável.

Com numa realidade dessas, como é que se faz para ensinar as crianças da geração alpha? A resposta não está exatamente nos recursos que se utiliza para ensinar, se é com tecnologia ou não, embora obviamente a solução passe pela transformação da metodologia. Entretanto, é preciso buscar a explicação na forma como nós conseguimos prender a atenção desse pessoal. O que atrai os olhares e os faz ter interesse? É o assunto ou a forma como se fala deste assunto?

A lousa e a transmissão unilateral de conhecimento já ficaram obsoletas. Mas, continuam a ter protagonismo dentro das salas de aula. É preciso mudar essa configuração. Afinal, a geração alpha não foi estimulada ou preparada para ficar sentada durante quatro horas ouvindo um adulto falar de assunto e, de vez em quando, escrevendo no quadro. Impacientes, conectam-se à internet mais facilmente que as gerações anteriores. E ficam lá por horas, se deixarmos. Portanto, em vez de proibir, precisamos aplicar na escola metodologias que utilizem esses recursos na hora de ensinar.

A editora Pearson, em 2018, revelou um estudo que aponta que os alunos das gerações mais conectadas – a alpha incluída – estão trocando os livros por vídeos na hora de aprender. Nossas crianças e adolescentes, em vez de lerem as intermináveis e pesadas apostilas que a escola lhes dão, preferem assistir vídeos curtos e resumidos acerca do conteúdo, antes das provas. Se a forma de aprender mudou, a de ensinar também precisa mudar.

Realidade aumentada, jogos digitais, e-books, vídeos, animações, aplicativos, grupos de WhatsApp, lembretes em redes sociais, salas de aula virtuais: há uma infinidade de recursos já disponíveis, além de um par deles que certamente ainda serão inventados. Mas, a mudança mesmo deve ocorrer no “mindset”, ou seja, na mentalidade de quem ensina. A resposta não está na tecnologia e, sim, na forma como nós a utilizamos!

Tiago Mariano 

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.

Foto: Pixabay

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