Penso, logo existo: a filosofia impulsiona o mundo

A filosofia impulsiona o mundo. Para frente, claro. Abre o pensamento, expande as ideias e ajuda no processo de desenvolvimento intelectual, base para qualquer avanço. Engana-se quem pensa o contrário. É preciso, antes de tudo, pensar. E não precisa ser um racionalista puro para considerar o pensamento como fundamento da vida. Senão o mais importante, ao menos um dos mais essenciais. Afinal, diz o ditado que são as perguntas que movem o mundo, não as respostas. E é justamente o que a filosofia faz: questionar.

René Descartes, considerado pai do racionalismo moderno, considera o questionamento como essencial para o desenvolvimento do pensamento. Seu método, chamado cartesiano, pressupõe a dúvida metódica ou hiperbólica: perguntar e questionar até que não seja mais possível. Ou até chegar à verdade, à realidade das coisas.  Foi assim que o racionalismo de Descartes concluiu a existência do homem: “Penso, logo existo”.

Entretanto, o pensamento liberta as pessoas de qualquer tipo de amarra. Esses obstáculos à autonomia podem ser religiosos, ideológicos ou hierárquicos. Seja qual for a natureza, as correntes que prendem o pensamento são cruéis, pois não permitem que as pessoas saiam da caverna, onde enxergam apenas as sombras, numa analogia com o Mito da Caverna, de Platão. Aliás, no pensamento platônico, é a própria filosofia que ajuda o ser humano a fazer o caminho de saída da ignorância para o encontro com a realidade, com a verdade.

Não fosse a filosofia, não chegaríamos aonde chegamos. Pois a filosofia nos ajuda, inclusive, a estabelecer limites éticos acerca das nossas ações, pelo simples fato de nos levar a entender e compreender as coisas. Por isso é, sim, tão importante estudar filosofia no processo de aprendizado infantil, do ensino médio e até na universidade. Não importa qual seja a área. Isso inclui as de biológicas e exatas, desde as que têm como fundamento a matemática ou a química. Afinal, a matemática surgiu com a filosofia grega e é uma disciplina que também tem como fundamento o pensamento racional.

Boa parte de nossos estudantes de hoje não gosta de ter de estudar a filosofia na engenharia, na medicina e em outros cursos. Não é culpa deles. É culpa de uma sociedade que não valoriza o pensamento crítico, que tem medo da autonomia e da liberdade que o pensar pode trazer. Precisamos mudar isso.

Foto: Pixabay

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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