O que fazer para compreender um niilista?

Você já deve ter convivido com pessoas extremamente pessimistas ou exacerbadamente céticas. Gente que não se afirma ou se nega o tempo todo e, assim, o faz também com suas qualidades e talentos. Com sua própria vida. Mais que isso, vive negando princípios, sejam eles religiosos, políticos ou sociais. Na filosofia, há um termo para identificar comportamentos ou pensamentos assim: niilismo, conceito que se originou da palavra latina nihil, que significa nada.

Uma vida diante de abismos. Talvez seja assim que muitos niilistas vivem. Alguns conscientes do que isso significa. Outros, sem ter qualquer ideia da falta de sentido em relação à vida. Não obstante, pensamentos obscuros e até suicidas podem rondar quem se nega ou quem nega a própria existência. Isso porque vive um conflito entre a desvalorização de crenças às quais outrora acreditava ao mesmo tempo em que convive com a necessidade padrão de teoricamente ter de acreditar em algo para interagir socialmente.

Daí a não compreensão, por parte dos amigos e da família, em relação a alguém que não precisa de crenças, ideologias ou pensamentos para seguir em frente. Friederich Nietzsche, um dos principais teóricos do niilismo, vai definir esse conceito de diferentes formas, caracterizando-as e categorizando-as, o que não será possível aprofundar nessas poucas e superficiais linhas. O certo é que o niilista é uma pessoa carregada de negatividade, no sentido pejorativo da palavra mesmo.

Por isso, é preciso encontrar uma forma positiva de encarar o niilismo. De encontrar forças dentro de algo negativo, tornando a vida mais positiva, menos complicada de se viver. É como se encontrássemos uma solução, uma alternativa, diante dos abismos com os quais nos deparamos na difícil arte de se viver. Talvez por isso a compreensão da filosofia por parte das pessoas em geral nos ajude a entender comportamentos humanos aparentemente incompreensíveis, que em muitos casos chamamos de doentios ou desvirtuados. Classificações erradas.

O niilista, embora esteja mergulhado na negação de si próprio, não necessariamente quer estar ali. Ao contrário, sofre por não conseguir enxergar a vida de outra forma. Não percebe que existe um sol além da cortina escura que lhe toma a vista da claridade. O que fazer para viver de forma diferente? Ser compreendido, é o primeiro passo. O resto vem, consequentemente.

Foto: Pixabay

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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