O Brasil precisa investir mais no professor

São muitos os desafios da escola brasileira para que, de fato, possamos adentra-la nos novos modelos de ensino e aprendizagem, mediados pela tecnologia. Entre eles, as desigualdades socioeconômicas dos alunos, a dificuldade de acesso à internet e aos equipamentos eletrônicos, a infraestrutura necessária e, claro, a formação e valorização do professor. O que ficou evidente, agora em tempos de pandemia e quarentena, é, justamente, a necessidade e a importância do trabalho discente.

Se fosse mais e melhor valorizado, certamente o professor brasileiro estaria bem preparado para enfrentar os desafios que surgiram por conta dessa pandemia mundial. Mas, não são. Isso significa que, além de elevar salários, é preciso uma série de aspectos: oferecer suporte psicológico para enfrentar as adversidades e possibilitar que estejam em constante formação e atualização. Assim, essa crise toda pela qual passamos é uma excelente oportunidade de valorizar a carreira docente.

Há quem defenda que, nos mesmo moldes do Sistema Único de Saúde (SUS) – que, aliás, está dando um show em muito sistema de saúde pelo mundo no enfrentamento da Covid-19 –, tenhamos no país um Sistema Nacional de Educação (SNE). Nesse sentido, seria necessário uma coordenação federativa de todo o sistema educacional, o que traz muitas responsabilidades, tais quais mais (ou melhor aplicados) investimentos.

São detalhes pequenos, mas, que fazem toda a diferença no todo. Por exemplo: ampliar o tempo de formação de qualquer carreira docente para integral ou diminuir o número de alunos em cada sala de aula, a fim de elevar a qualidade do ensino e do atendimento do professor na classe. Esses são alguns itens que podem ser melhorados. Da mesma forma que considerar a internet como algo essencial à educação, assim como é a luz elétrica e a água potável.

Para isso, entretanto, seriam necessários investimentos altos demais. Ou, ao menos, que os recursos disponíveis não se perdessem no meio do caminho da corrupção. Com certeza, assim, o avanço seria mais significativo e rápido. Senão, daqui a pouco, ninguém mais vai querer ser professor e a educação das crianças será relegada aos pais. E a pandemia nos ensinou que, se os professores têm dificuldades no trabalho, os pais não estão nem um pouco preparados para ensinar seus filhos.

Tiago Mariano 

Formado em História pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), pós-graduado em Ensino e História. Atualmente ministra aulas no Colégio Estadual Olavo Bilac, em Cambé, no Colégio Maxi, em Londrina, e é coordenador pedagógico da startup londrinense EducaMaker. Em 2018, foi premiado pela Google for Education (2018) com o primeiro lugar nacional no Programa Boas Práticas pela criação de um método de formação de alunos de alta performance.

Foto: Pixabay

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