Mudança e movimento: reavaliar comportamentos éticos e morais

De tempos em tempos, o mundo reavalia e muda seus conceitos, filosofias, princípios éticos e morais. Isso é fato. Processo, muitas vezes, longo e demorado. Diferentemente, entretanto, com o que está acontecendo em relação à pandemia do coronavírus, que tem transformado nossos padrões com uma velocidade impressionante. Ou, ao menos, tem nos feito pensar e repensá-los. É como diria o filósofo Heráclito: de acordo com ele, tudo está em movimento e em mudança. Tal qual as águas de um rio, que passam e o rio já não é mais o mesmo.

Vamos listar aqui, sem qualquer pretensão de obter uma conclusão, uma série de elementos, aspectos e situações em que precisamos reavaliar nossos valores, coloca-los em prática, discussão ou em xeque, por conta da pandemia do coronavírus. Um deles diz respeito à informação. Nunca foi tão necessário cuidar da qualidade da informação que divulgamos. Afinal, agora notícias falsas não apenas confundem, mas, prejudicam a saúde. Causam pânico, revolta e até podem levar à morte na medida em que incentivam as pessoas a práticas errôneas de saúde. E o problema é que elas se enraízam na cultura das pessoas, quaisquer que sejam.

Na parte médica, nos deparamos com duas grandes questões: a confidencialidade das informações de pacientes e a difícil escolha que os médicos precisam fazer na hora de decidirem quem será “privilegiado”, quando faltam leitos, recursos e outros itens ligados à saúde. São decisões éticas que passam por questões morais, pessoais e até de sociedade. Enfim, como salvar o maior número de pessoas, diante de recursos tão limitados, que nos impossibilitam de atender a todos? A grande questão é: quem salvar? Quem decide?

O que se coloca à nossa frente é, a partir de agora, uma ética da responsabilidade. Há quem já a pratique. A maioria, todavia, não. O que isso significa? Significa pensar no outro: usar a máscara para proteger o outro; ficar em casa quando se estiver doente para evitar disseminar qualquer vírus ou bactéria; respeitar as normas de isolamento e distanciamento social, entre outras coisas. De fato, as águas do rio mudaram. Nosso comportamento enquanto ser humano também precisa mudar. E para melhor.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Pixabay

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