Morte: a única certeza da vida

Já dizia o poeta que “a gente mal nasce, começa a morrer”. O que nos diferencia uns dos outros é o que fazemos no intervalo que chamamos de vida. Entre tropeços e percalços, vamos seguindo adiante sempre rumo ao mesmo destino: o fim de tudo, que demos o nome de morte. O que acontece depois? Não sabemos. São somente teorias e ideologias. O que nos importa é, como disse, o modo como registramos nossa vida, um detalhe que costumamos denominar como presente. Que, inclusive, vai definir como será o futuro, ou seja, justamente aquela jurisdição desconhecida objeto de fé, ideologias e outras crenças.

O que pensa a filosofia sobre a morte? São muitas teorias, naturalmente. Entre elas, a de Sócrates, corroborada por Platão, seu discípulo. Antes, porém, é preciso lembrar – fato já narrado nesta coluna – que o pensamento socrático foi considerado corrompedor da juventude e seu autor, considerado o pai da filosofia, condenado à morte por isso. O que ele preferia, a ter de renunciar a seus princípios. Talvez por isso ambos os clássicos da filosofia destacassem a contrariedade entre vida e morte: enquanto uma existe, a outra é ficção. Certo?

Epicuro, dono da corrente epicurista, vai na contramão desse pensamento. Para ele, cujo pensamento é preponderantemente hedonista, os prazeres moderados são alegrias da vida, já que a morte é tão inevitável quanto natural. Daí a expressão latina carpe diem (aproveite a vida), dita por Horácio, um poeta e filósofo adepto do epicurismo. Deixando para trás a Grécia Antiga, vamos para a Idade Moderna: Arthur Schopenhauer classifica a morte como a chave de toda a filosofia, seus dilemas e questões. Porque é justamente o conhecer a própria finitude que faz o homem ter medo da morte, ou seja, da finitude da vida.

Já para Friedrich Nietzsche, que tem um pensamento profundo sobre o conceito de morte, há duas formas: a covarde e a voluntária. A primeira está refém de um acaso, cujo efeito imediato seja, de fato, morrer. Para ele, “nesse caso, deseja-se morrer porque se morre”. Ao passo que a morte voluntária é, em certa medida, emancipadora porque o tempo de vida não se determina por um acaso ou algo exterior ao ser humano. Ao contrário, é uma escola e uma decisão interna sobre a própria existência. Poderíamos chamar na prática de suicídio? Ou de ortotanásia? Ou dos dois?

O que podemos afirmar? Que a morte é a única certeza da vida. E basta!

Foto: Pixabay

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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