Humor é expressão de dominação ou libertação?

Rir é o melhor remédio contra muitas doenças e enfermidades. Aliás, pesquisas comprovam que faz bem à saúde. Entretanto, há diferentes meandros e nuances acerca do humor. Algumas reflexões filosóficas o consideram uma forma de dominação, enquanto outras teorias o elevam ao patamar libertador. Por outro lado, numa sociedade como a que estamos vivendo, o senso de humor está, constantemente, cerceado por objeções. Apesar de tudo, sobrevive e é um alento à nossa alma.

O contratualista Thomas Hobbes, que defende uma monarquia absolutista na figura do Leviatã, entre seus pensamentos, divaga sobre o humor. Diz que ele é uma expressão de superioridade em relação ao motivo da piada, principalmente se for uma pessoa. É uma forma de quem ri se vangloriar sobre a vítima, normalmente apontando algum defeito alheio. Por isso, já não se tem tanta graça em piadas sexistas e racistas, ao contrário do que se fazia décadas atrás. Hoje em dia já não cabem mais humores assim.

Infelizmente, a sociedade como um todo não aprendeu que não se faz piada com determinados assuntos. Há redutos que ainda resistem, como os famosos churrascos de família, cujo humor se encarna nos tiozões. Vira e mexe algumas expressões que deveriam ser encurraladas reaparecem expressas nas falas de alguma personalidade famosa ou influente, como é o caso dos próprios humoristas e, até mesmo, do presidente da República. Daí a infantilidade atribuída ao mandatário.

Há, todavia, filósofos que acreditam ser o humor uma expressão de incongruências da vida, tipo coisas que consideramos impossíveis, ideias irrelevantes, expectativas e impasses, além de situações inaceitáveis. Nesta linha, Kant e Schopenhauer estão entre os filósofos que a consideram. Entretanto, há algumas ressalvas: nem todas as incongruências da vida são percebidas pelo humor. E nem todo riso é uma expressão disso. Afinal, existem outros tipos de riso por aí.

Por fim, flertamos com o campo da psicanálise. Freud, assim como faz em toda a sua teoria, acredita que o humor é um tipo de fuga que liberta instintos e desejos, principalmente os sexuais. Pode até que ser que seja verdade, em partes. Mas, muitas vezes, as pessoas que necessitam libertar instintos reprimidos são aquelas que menos riem das piadas. Enfim, não é uma regra. São possibilidades. De qualquer forma, o humor não é simplesmente, algo aleatório. É filosófico e, por isso, deve ser feito com muito cuidado, respeitando sempre as diferenças raciais, sexuais e tantas outras.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Pixabay

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *