Gastronomia e filosofia: a busca de significados!

A gastronomia é filosófica. E a filosofia, é uma delícia. Não há dúvida. O que muita gente não sabe é que ambas andam de mãos dadas desde que uma testemunhou o nascimento da outra. Em primeiro lugar, a comida é companheira do ser humano por uma necessidade básica e biológica. Por outro lado, único animal dotado de uma capacidade racional – aliás, quem diz isso é Aristóteles –, o homem é capaz de conferir significados diferentes à comida, à refeição, à gastronomia. Significados, inclusive, que perpassam pela filosofia.

Berço da filosofia ocidental, a Grécia é, também, talvez, o local que tenha registrado um dos primeiros livros de culinária, mais especificamente com receitas sicilianas. Escrito por Mithoecus, personagem do diálogo Górgias, escrito por Platão, acerca das observações de Sócrates sobre bons e nobres cidadãos do estado. O livro tem indicações de preparo de peixes, por exemplo. Por outro lado, o poeta Arquestrato também é um dos percursores dos livros culinários. Noutro escrito platônico, A República, a dieta dos guerreiros gregos é tema das conversas entre Sócrates e Glauco.

Entretanto, a ideia de culinária que temos hoje se aproxima muito do que pensava Epicuro, cuja filosofia relaciona o bem ao prazer. Afinal, não é o que se tem pregado por aí? A culinária é fonte de prazer, de amizade, motivo de reunir as pessoas, de se realizar pessoalmente e de uma série de aspectos importantes e filosóficos. Repare que, durante a pandemia do coronavírus, as pessoas cozinharam mais e melhor. Aprenderam pratos diferentes, reuniram-se e aproximaram-se mais.

E não é que “in vino veritas”?. O provérbio, popularizado entre os romanos pelo filósofo Caio Plínio Cecílio Segundo, conhecido como Plínio, o Velho, traduz exatamente o que significa a união entre a gastronomia e a filosofia. Ou melhor, mais especificamente o vinho. A expressão quer dizer que, quando se ingere o vinho em grande quantidade, a verdade vem à tona. E a verdade é que, dotada de significado, a gastronomia, assim se assemelha à filosofia, que busca preencher de significados a própria vida. Que sejam diferentes, mas, são significados profundos!

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Pixabay

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