Eleições 2020 – Porque tenho medo da reeleição

Aluísio Siqueira Filho, formado em direito e consultor de empresas

Estou cansado de ver os mesmos vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores se perpetuando no poder. Se tornaram políticos profissionais que enriquecem à custa do povo, sem muito esforço. E criam clãs, com filhos, sobrinhos, netos seguindo o mesmo caminho. Mas hoje não estou aqui para falar do legislativo e sim da reeleição de prefeitos, governadores e presidentes.

Desde que a reeleição foi aprovada – ou comprada, como querem alguns – na gestão do então presidente da República Fernando Henrique Cardoso – em 1997 (que se reelegeu), tenho acompanhado a política paranaense e não tenho gostado do que vejo. O Paraná e Londrina, especificamente, sofreram muito nas mãos de reeleitos. E nem vou entrar no mérito do Brasil como um todo.

Desde Jaime Lerner, o primeiro governador eleito sucessivamente para duas gestões(1995 a 2003), o que temos visto foi um completo insucesso gerencial dos reeleitos como um todo. Londrina nunca foi tão abandonada ao Deus dará como na segunda gestão de Lerner. O então governador só vinha para o Município – quando vinha- cercado por um aparato policial enorme, que não deixava a população chegar perto para reivindicar direitos. A majestade Lerner, acostumado por oito anos ao poder, fez o que quis, inclusive os pedágios mais caros do país e, como se viu, uma fonte inesgotável de corrupção que passou impune por Roberto Requião e Beto Richa, os sucessores e também reeleitos.

Aliás, Richa é um capítulo à parte. Nunca um governador enganou tanto uma população como ele no primeiro mandato, o que o levou a ser reeleito em primeiro turno. Foi no seu segundo mandato que estouraram as notícias de corrupção, como na Operação Quadro Negro que investigou desvio de pelo menos R$ 20 milhões que deveriam ter sido usados na construção e reformas de escolas públicas no Paraná, entre outros esquemas.

Em Londrina, o único prefeito que foi reeleito foi o petista Nedson Micheletti e todos sabemos o que aconteceu. Em disputa com Antônio Belinati – que nunca foi reeleito, mas é como se tivesse sido já que governou o Município por três mandatos -, em 2004, ganhou com 53% dos votos válidos porque ninguém queria o “Tio Bila” de volta, depois de ter sido cassado.

E seu segundo mandato foi marcado por uma insatisfação geral dos servidores públicos, que fizeram, em diversas ocasiões,  greves e manifestações, que fizeram a cidade sofrer muito. Essas manifestações culminaram com uma grande passeata, no início de 2005, quando os sindicatos e associações ligadas aos servidores municipais, especialmente das áreas de educação e saúde, reclamaram da defasagem salarial, das condições de trabalho e da falta de diálogo com a prefeitura. Essa greve resultou, em novembro de 2006, na Ação Civil Pública ajuizada pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina contra o prefeito.

De lá para cá, os prefeitos que assumiram depois – sem contar os tampões – não foram reeleitos. Barbosa Neto porque foi cassado pela Câmara de Vereadores e Alexandre Kireeff, que não quis disputar a reeleição, por não concordar com ela. O mais lúcido, ao meu ver.

Agora, Marcelo Belinati, que já vendeu o que restava da Sercomtel, concluindo o trabalho do tio, e aumentou assustadoramente o IPTU, tenta sua reeleição.Eu me pergunto: o que pode vir no futuro de Londrina? Pelo histórico que vimos, tenho medo. Pelo princípio, sou contra. Não quero dar chances a que esse grupo político ligado ao atual prefeito se perpetue no poder. Não quero dar chance a qualquer político – seja prefeito ou vereador – que sinta-se dono da coisa pública. Nenhum prefeito e nenhum vereador deveria ser reeleito. Se quatro anos são poucos – para quem? – que se aumente o mandato para mais um ano, totalizando cinco. Reeleição, não!

Foto: Arquivo/Agência Brasil

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *