É imoral quebrar regras morais inconscientemente?

É imoral quebrar regras morais inconscientemente? Se essa pergunta te deixou em dúvida é porque está tudo certo contigo. Afinal, é extremamente polêmica, traz grandes reflexões filosóficas e divide grandes pensadores e teorias ao longo do tempo. E o que vamos discutir aqui não tem a menor pretensão de encerrar um debate tão antigo e dúbio, mas apenas dar pistas para refletirmos sobre a questão o tempo todo.

Imagine que uma pessoa acostumada a viver nua numa sociedade isolada com regras próprias, de repente, se veja no meio de uma civilização qualquer caminhando pelada pela rua ao lado de uma infinidade de curiosos, todos vestidos, num país onde é crime praticar ato obsceno em local público. Essa pessoa deve sofrer as sanções e punições desta sociedade sem saber que lá o que fez é considerado imoral?

Ou então pense na seguinte cena: um grupo de jovens intercambistas se reúne num país para estudar e trocar experiências. Sentados à mesa para o almoço ou o jantar, um deles, do nada, pega com as próprias mãos a comida diferente que está no prato de outro, para degustar. O outro estudante, de tão assustado, fica paralisado porque de onde veio isso não é normal nem costumeiro. O que o primeiro jovem fez, sem saber que na cultura do colega é considerado errado, foi, de fato, errado? É imoral?

Veja que essas situações, por mais gritantes que nos pareçam, podem muito bem acontecer vez ou outra. E, obviamente, tendemos a considera-las todas imorais. Um absurdo, na verdade! Isso porque enxergamos a situação a partir dos nossos próprios princípios e visão de mundo, sem, muitas vezes, nos colocar no lugar de outrem ou enxergar a realidade a partir de uma perspectiva distinta.

Por isso, é preciso sempre ter bom senso. Ninguém é obrigado a saber quais as regras e leis de um local novo e diferente. Entretanto, também é importante que, quando visitamos um país diverso do nosso, procuremos saber e conhecer o que há de mais importante nesses aspectos, justamente para não sermos pegos desprevenidos. Hoje em dia, basta uma pesquisa na internet para saber qual a maioridade aqui ou acolá, se é permitido dirigir ou tomar bebida alcoólica, entre outras coisas.

Visitar mesquitas árabes em países muçulmanos, por exemplo, exige que as pessoas cubram ombros e pernas. Sabendo disso antes, não será nenhum inconveniente fazer a visita. Agora, volto à pergunta do início do texto: é imoral quebrar regras morais inconscientemente? Não respondi e não pretendo responder. Mas, reflita!

Foto: Pixabay

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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