Drogas (lícitas ou ilícitas) estimulam o pensamento filosófico?

Sensação de liberdade. Experiências espirituais. Euforia, excitação e relaxamento. Essas são algumas das sensações descritas por quem já usou ou por quem faz uso (com frequência ou não) de drogas. Lícitas ou ilícitas. “A dose é o que converte uma droga em veneno ou em cura”, afirma o antropólogo e filósofo espanhol Santiago Beruete, em uma entrevista ao jornal El País. Talvez esse seja o limite entre a alteração da percepção da realidade, ou não.

Veja a entrevista completa.

É Santiago Baruete quem afirma estar documentado o fato de grandes filósofos da Antiguidade Clássica terem feito uso de alucinógenos, os que estavam disponíveis naquela época, como fungos e outras plantas. É certo que, desde que a humanidade existe, esse tipo de substância psicoativa acompanha o ser humano. Entretanto, não é possível precisar exatamente quais teorias filosóficas estão associadas ao fato de estarem sob efeito psicoativo. Muito menos se as usavam com esse objetivo filosófico.

O pensador francês Michel Foucault, para quem as instituições sociais são fontes de mecanismos de poder do Estado sobre os indivíduos e de uns sobre os outros, conviveu com diferentes intelectuais bastante receptivos às drogas. Isso porque, naquele momento, a partir de meados da década de 1950, as substâncias psicoativas estavam sendo vistas como libertadoras e contestadoras do sistema, algo como revolucionárias, o que, de certa forma, libertava as pessoas das imposições e humilhações dos diferentes tipos de poder.

É certo que algumas dessas substâncias são estimulantes (e, muitas vezes, até libertadoras), como a própria bebida alcoólica e alguns outros medicamentos. Como tudo na vida, existem consequências. Algumas delas, imprevisíveis. E que podem desencadear uma série de outros fatores além das boas sensações. Por isso, não se pode justificar filosoficamente o uso de qualquer substância psicoativa. Isso porque, embora seja a porta aberta para um universo filosófico e intelectual proeminente, pode se tornar um passo para a queda num buraco sem fim.

Tampouco sejamos hipócritas a ponto de fingir que o consumo dessas substâncias não existe. Principalmente nas “melhores famílias”. Jovens ou adultos têm fácil acesso. E escolhem, por eles mesmos, enveredarem por um caminho alucinógeno. Ou não. Embora, em muitos casos, seja uma questão relacionada à saúde, nem sempre é a prescrição médica que torna imune ao vício. Libertador mesmo é poder pensar sem a necessidade de qualquer estimulante.

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

Foto: Pixabay

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