A importância das Residências Médicas e Não Médicas na Área da Saúde

Décio Sabbatini Barbosa (*)

A Residência é uma Pós-Graduação em nível de especialização (lato sensu), voltada para a educação em serviço e destinada às categorias que integram diferentes áreas. A Universidade Estadual de Londrina possui residências nas áreas médica e não médicas, sendo todas fundamentais na prevenção de doenças bem como na manutenção e recuperação da saúde de uma população assistida por este relevante serviço. 

É na verdade um programa de cooperação intersetorial para favorecer a inserção qualificada de jovens profissionais no mercado de trabalho. Atualmente a UEL abriga 440 residentes em diferentes especialidades distribuídos entre os cursos de Medicina, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Odontologia e Medicina Veterinária. Psicólogos, Educadores Físicos, Nutricionistas e Assistentes Sociais atuam conjuntamente com os profissionais dos cursos citados acima (excetuando-se os médicos veterinários) nas residências multiprofissionais Saúde da Mulher e Saúde da Família. 

Esta última exerce funções semelhantes ao núcleo de apoio à saúde da família (NASF) com visitas domiciliares e atendimento em grupos na atenção básica enquanto que a Residência na Saúde da Mulher atua nos três níveis: básica, ambulatorial e hospitalar de atenção à saúde da mulher. Por desempenharem um papel extremamente relevante à sociedade, cada um destes profissionais recebe uma bolsa para seu sustento (R$ 3.330,43) e trabalham 60 horas semanais. 

Embora a maior parte desta carga horária seja voltada à assistência, é importante destacar que cumprem períodos de aulas teóricas e mesmo quando de seus horários de atendimento à população, há a participação de alunos de graduação o que enriquece em muito a formação destes alunos. Revezam-se nos dias de semana, sábados, domingos, recessos e feriados. É um trabalho diuturno e contínuo, sempre orientado por Professores de cada área e especialidade. 

Os números referentes a estas ações são superlativos. Apenas em 2018, o HU-UEL contabilizou os seguintes números referentes à produção assistencial: 131.095 consultas ambulatoriais; 25.485 atendimentos de Pronto-Socorro; 13.986 internações; 1.298 partos; 10.368 cirurgias; 1.093.319 exames de análises clínicas; 8.025 exames do Laboratório de Patologia; 47.309 exames de Radiologia; 14.475 Tomografias computadorizadas; 5.824 procedimentos de Hemodinâmica e Litotripsia, dentre outros. Na Clínica Odontológica Universitária (COU), no período de junho de 2018 a junho de 2019, foram atendidos 14.201 pacientes no Pronto Socorro Odontológico. 

Também foram atendidos 6.472 pacientes no Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) onde trabalhos laboratoriais de prótese dentária e radiologia também foram realizados além de outros procedimentos. A Bebê Clínica foi, neste período, responsável pelo atendimento de 5.691 crianças e realizando 48.932 procedimentos. Já no hospital veterinário, em 2018, realizaram-se 18.200 consultas, 73.582 exames laboratoriais e para diagnóstico por imagens, 7.429 procedimentos, 1.452 cirurgias e 7.602 diárias de internamento. 

As residências ainda atuam em Unidades Básicas de Saúde (UBS), diferentes hospitais e maternidades das cidades de Londrina, Rolândia, Ibiporã e Cambé. Nas UBS são realizadas anualmente centenas de visitas domiciliares, atendimentos clínicos individuais e multiprofissionais e ações de educação em saúde. Em todas estas ações (e em muitas outras não descritas aqui) a figura dos residentes é fundamental. Muitos desses profissionais que já passaram pelos nossos cursos de Residência compõem o quadro de profissionais de saúde distribuídos pelos muitos municípios do Paraná e de todo o Brasil, estendendo a sua formação na promoção da saúde e qualidade de vida das pessoas. 

Sem a presença destes profissionais em Londrina e toda macrorregião, o atendimento na área da saúde pública, no SUS, ficaria seriamente comprometido. A garantia na continuidade e expansão destas atividades na UEL e demais universidades do Estado do Paraná é fundamental e deve ser encarada como política estratégica na área da saúde. 

(*) Vice-reitor da Universidade Estadual de Londrina

Foto: ìxabay

Compartilhar:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *