A ideologia que atrapalha a pandemia

O mundo está carregado de ideologia, um conjunto de ideias que caracteriza o pensamento de uma pessoa, de uma coletividade, de um grupo social ou de uma época. Na filosofia, significa também o estudo das ideias. Ou seja, uma tentativa de compreensão do que se pensa, de como se pensa e do porque se pensa daquela determinada maneira. O texto de hoje quer lançar luz para tentarmos compreender justamente o modo como uma ideologia atrapalha os cuidados e a prevenção de uma pandemia como a do coronavírus, recentemente.

Na história da contemporaneidade, não me recordo de uma ideologia ter atrapalhado tanto a prevenção de uma doença. Veja: nos Estados Unidos, o governo cortou verba para o Centro de Controle de Doenças por considerar que uma pandemia não é uma ameaça à segurança nacional. Mais que isso, a imprensa ultraconservadora de lá difunde a ideia de que o coronavírus é uma instrumentalização contra o presidente Donald Trump. Enquanto isso, as pessoas estão sendo infectadas.

No Brasil, apesar de toda a recomendação do Ministério da Saúde de evitar aglomerações e de tomar os cuidados preventivos, como não cumprimentar com beijos, abraços nem apertos de mão, o presidente da República, chefe da nação e quem deveria ser o primeiro a dar exemplos, resolve ir a uma manifestação e distribuir selfies e fazer tudo aquilo que não era para fazer. Isso, mesmo depois de pessoas próximas a Jair Bolsonaro terem sido confirmadas com o coronavírus.

Não importa qual seja, qualquer ideologia cega as pessoas. É preciso enxergar além delas, com os óculos do cientificismo. Na época da pandemia de gripe A H1N1, o mundo estava bem menos preparado, os efeitos foram devastadores. Entretanto, não havia uma ideologia que fosse um empecilho às pesquisas, à informação, à prevenção ou ao tratamento. Parece que hoje, com muito mais recursos e condições, a humanidade está um pouco mais burra. A sorte é que essa doença não é tão devastadora quanto as anteriores. E as mortes são em bem menos número que antes. Porque se dependesse da ideologia de alguns… 

Foto: Pixabay

Fábio Luporini

Sou jornalista formado pela  Universidade Norte do Paraná e sociólogo formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) . Fui repórter, editor e chefe de redação no extinto Jornal de Londrina (JL), atuei como produtor na RPC (afiliada da TV Globo), fundei o também extinto Portal Duo e trabalho como assessor de imprensa e professor de Filosofia, Sociologia, História, Redação e Geopolítica, em Londrina.

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